A Morte Em Terapia E Nas Artes

Finados – Arte E Terapia Na Elaboração Da Morte
Artigo do Artista e Psicanalista Henrique Vieira Filho

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Art works: Angel of Death and D’Arkangel - Artist: Henrique Vieira Filho
À Direita: Title: D’ArkangelArtist: Henrique Vieira FilhoMixed media on canvasSize: 80 x 120 cm – 31,5 x 47,25 inchesYear: 2017Á Esquerda:Title: Angel of DeathArtist: Henrique Vieira FilhoMixed media on canvasSize: 80 x 120 cm – 31,5 x 47,25 inches Year: 2017

Enquanto algumas culturas festejam (México) e outras homenageiam (Japão), o Brasil herda tradições que cultuam o sofrimento sobre a importante pauta que é a MORTE.

As Artes expressam e transmitem sentimentos universais, por isso, é natural que a representação da mortalidade seja recorrente na pintura, literatura, teatro, cinema, enfim, todos os gêneros, possibilitando a cada observador a oportunidade de catarse emocional.

Seja em terapêutica (apreciação artística), seja explícita em consultório (arteterapia), Arte e Terapia se somam em nosso benefício para melhor lidarmos com a morte, tema onipresente neste período celebrativo de finados.

Title: Angel of Death Artist: Henrique Vieira Filho
Title: Angel of Death
Artist: Henrique Vieira Filho
Mixed media on canvas
Size: 80 x 120 cm – 31,5 x 47,25 inches Year: 2017

Title: D’Arkangel Artist: Henrique Vieira Filho
Title: D’Arkangel
Artist: Henrique Vieira Filho
Mixed media on canvas
Size: 80 x 120 cm – 31,5 x 47,25 inches
Year: 2017

Enquanto algumas culturas festejam (México) e outras homenageiam (Japão), o Brasil herda tradições que cultuam o sofrimento sobre a importante pauta que é a MORTE.

As Artes expressam e transmitem sentimentos universais, por isso, é natural que a representação da mortalidade seja recorrente na pintura, literatura, teatro, cinema, enfim, todos os gêneros, possibilitando a cada observador a oportunidade de catarse emocional.

Seja em terapêutica (apreciação artística), seja explícita em consultório (arteterapia), Arte e Terapia se somam em nosso benefício para melhor lidarmos com a morte, tema onipresente neste período celebrativo de finados.

Teóricos classificam a morte em categorias, sendo que, um deles, Kovács, M.J., em sua obra “Educação para a Morte – Temas e Reflexões”, nos apresenta o que nominou de morte escancarada, via de regra, do tipo violenta, em guerras, tragédias, desastres e emergências, envolvendo a banalização da morte, com superexposição da midia, o que tanto pode criar possibilidades de discussão, como tão somente gerar perplexidade e desconforto:

“A morte escancarada por ser inesperada não permite preparo prévio.

Envolve múltiplos fatores que podem dificultar a sua elaboração: perdas múltiplas (morte de várias pessoas da mesma família), perdas invertidas (filhos e netos que morrem antes de pais e avós), presença de corpos mutilados, desaparecimento de corpos e cenas de violência.” (Kovács)

Como complementação ao tópico acima, Philippe Ariès, nos apresenta outras classificações complementares de morte:

  • A “domada”, mais comum à Idade Média, onde morrer era um risco cotidiano, por doenças, ferimentos, e o temor maior era quanto à forma abrupta, que poderia impedir os rituais de despedida, como um evento familiar que incluía a espera no leito, o lamento pela vida, a evocação de pessoas e coisas amadas, o perdão e a absolvição sacramental. (Ariès, 2003).
  • A “interdita”, onde não era mais entendido como um fenômeno natural, sendo aplicada a “medicalização” da morte, quando os moribundos eram levados aos hospitais para morrer, lugar que era conveniente para esconder a repugnância e aspectos sórdidos ligados à doença. Dessa maneira, foi ficando mais comum a supressão do luto e das manifestações de dor. (Ariès, 2003)
  • E temos, ainda, a morte “reumanizada”, onde, ao invés da busca de a todo custo impedir ou adiar o falecimento, aplica-se a ortotanásia, onde se cuida para que a pessoa tenha uma morte digna, sem procedimentos que iriam somente prolongar a vida sem qualidade.

 

Projeto Re-Arte:Releituras Coletivas - Re-Art Collective Project: Arts Revisited
Art: CATrina - Artist: Henrique Vieira Filho
Art: CATrina – Artist: Henrique Vieira Filho

Independente de classificação, a morte é pauta em atendimentos de consultório, existindo até abordagens específicas, como a Terapia do Luto.

O processo de luto, quando bem vivenciado, facilita condições para uma adaptação à perda, despertando a disponibilidade para novos investimentos em sua vida, reorganização uma nova rotina para o dia a dia.

Mas, há fatores complicadores, conforme a circunstância do acontecimento do luto:

  • O “antecipatório”, quando, por exemplo, inicia desde o um diagnóstico de problemas de saúde incuráveis;.
  • O “parental”, que envolve a morte de filho, também é chamada de “morte invertida” e costuma envolver sentimentos de culpa dos pais;
  • O “adiado”, acontece normalmente quando não há vivência imediata da perda, por diversos fatores e só ocorre muito tempo após o acontecimento.
  • O “inaceitável”, quando não há amparo social e/ou nas crenças e costumes, como por exemplo, mortes de animais, aborto, ou de amantes.
  • O “suspenso”, que ocorre em casos de ausência ou desaparecimento do corpo;
  • Complementando, e bem no contexto atual, há ainda o luto “coletivo”, com a sensação de perda disseminada por toda uma coletividade, como o que se gerou perante o ataque terrorista em Paris e a tragédia sócio-ambiental em Mariana.

Boa parte dos teóricos, para fins de facilitar o entendimento, descrevem o que chamam de “fases do luto”.

Klüber-Ross (1996) é talvez a referência mais citada, classificando em cinco fases do luto, que também se aplicavam as pessoas que vivenciavam outros tipos de perda:

  • “Negação”, quando a pessoa parece não acreditar que ocorreu a morte;
  • “Raiva”, marcado por sentimentos de revolta, ressentimento e até a atribuição de causa ou culpa para algo ou alguém;
  • “Barganha”, período em que ocorre uma espécie de negociação que possa mudar ou evitar a perda. É comum o apelo a entidades divinas e quaisquer crenças por meio de pactos ou promessas;
  • “Melancolia”, período de extrema tristeza, introspecção e isolamento;
  • “Aceitação”, que é a fase derradeira, mas que não significa o fim do sofrimento, mas um período em que a pessoa deixa de lutar contra a morte, a aceita e isso facilita o enfrentamento.

A Terapia Holística possui muitos instrumentos para que possamos atuar como mediadores, catalisadores do processo de luto.

Uma das vertentes mais procuradoras e bastante polêmica é a Terapia Comportamental, que propõe “tarefas” a serem executadas pelo Cliente, algo como um “passo a passo”, com prazos e metas.

Claro, sempre é tentador, tanto para a pessoa atendida, quanto para o Profissional, trabalhar dentro de uma expectativa de tempo e de resultados e, muitas vezes, é necessário, como, por exemplo, nos casos de pessoas que sejam arrimos emocionais e/ou financeiros dos demais, não sendo possível ficar sem a retomada de suas rotinas de vida.

Outrossim, devemos sempre ter em mente que obter resultados na alteração do comportamento (como, por exemplos, a pessoa cessar com os choros, volta a trabalhar, a cuidar dos filhos…), muitas vezes implica em estarmos adiando o contato com o sofrimento, ou, ainda pior, estarmos predispondo à somatização do trauma, o qual, não encontrando espaço para manifestar-se emocionalmente, passará ao corpo, em diferentes graus de seriedade.

Sempre que possível, devemos adotar a linha terapêutica humanista, onde não existe um roteiro ou prazo pré-estipulado, permanecendo a Terapia à disposição do Cliente, que levará o tempo que for necessário para conseguir lidar com a perda, redefinir os papéis e retomar sua vida, em sua nova forma.

Paralelamente aos métodos Psicoterápicos, podemos contar com as técnicas de equilíbrio energético de meridianos, de chakras e, é claro, a popular Terapia Floral, com seu vasto leque de essências, adequadas a cada etapa emocional de nossos Clientes.

Desde a consagrada composição do Rescue Remedy, que atua muito bem em momentos de grande variação emocional, até o ideal, que sempre é personalizar a escolha das essências, adequando ao exato momento vivenciado pelo Cliente, os Florais de Bach contam com longa tradicional de auxílio ao luto.

 

Title: Katrina Gioconda
Artist: Henrique Vieira Filho
Mixed media on canvas
Size: 80 x 120 cm -  31,5 x 47,25 inches
Year: 2017
Title: Katrina Gioconda – Artist: Henrique Vieira Filho

 

Esta pauta teria que ser aprofundada muito além do espaço destinado a este Artigo, razão pela qual, pretendo retomar e complementar este tema, em futuras oportunidades.

 

Que todos saibam que sempre terão, na Terapia Holística e na ARTE, excelentes pontos de apoio para a harmonização em suas vidas.

 

 

Arte E Terapia, com Henrique Vieira Filho

www.henriquevieirafilho.com.br contato@hvfartes.com.br

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Telas em Exposição na "Cidades Divas No Divã" – Artista: Henrique Vieira Filho

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Henrique Vieira Filho – Artista Plástico abre seu ateliê e expõe suas telas recém-chegadas de New York, Roma e Viena que retratam grandes metrópoles.

Entrada Franca Inscreva-se para visitar a Pocket Exhibition “Cidades Divas No Divã” – Alameda Santos, 211 cj 1411 – São Paulo – SP – CEP 01419-000

Algumas das obras em destaque:

Title: Colossus OF New York – Artist: Henrique Vieira Filho

Nesta obra, o Artista homenageia New York, pintando seus edifícios icônicos em um paralelo entre a Estátua da Liberdade e o Colosso de Rodes, inspirado na gravura de Maarten van Heemskerck, de 1570.

Title: Rio Wall – Artist: Henrique Vieira Filho

Na Cidade do Rio de Janeiro, o morro como Torre de Babel e o muro que divide realidades, do esplendor da Natureza aos perigos da força guerreira terra-cota, passando por Roger Waters e Salvador Dali, sob as bênçãos de esperança da Sadako e seus Tsurus.

Title: Megalopolitanos – Artist: Henrique Vieira Filho

A Cidade de São Paulo, com versões surreais do Masp, mesclado com o Monumento Às Bandeiras, tendo o Museu do Ipiranga ao fundo, em homenagem aos habitantes desta megalópolis.

Title: Polimetropolis – Artist: Henrique Vieira Filho

Arquiteturas icônicas da Cidade de São Paulo, mescladas em cores, luzes e texturas, com o Teatro Municipal, os prédios da região do Viaduto Santa Efigênia, em contraste com a contemporaneidade da Ponte Estaiada.

Title: Berlin Wall – Artist: Henrique Vieira Filho

Icônico, histórico, o Muro de Berlim, com as cotidianas crianças de Henri Cartier-Bresson e ele próprio na tela, juntamente com versões jovens do artista e de Pedro Bial, que aparece já adulto, como parte dos grafites que profetizam a queda, sob as bênçãos de paz dos Tsurus.

Title: Wings Of Wishes – Artist: Henrique Vieira Filho

O Universo pede mil tsurus origamis em troca de cada desejo, que nesta obra, voa pelos céus da Cidade Fujiyoshida, no Japão, transbordando paz e esperança.

Title: Wings Of Peace – Artist: Henrique Vieira Filho

Voando em seu Tsuru, nos céus da Cidade Fujiyoshida, no Japão, esta obra honra os desejos da pequena Sadako:

_ “Eu escreverei paz em suas asas e você voará o mundo inteiro”.

_ “Este é o nosso Grito. Esta é a nossa oração: Paz no Mundo”.

Title: I Wish – Artist: Henrique Vieira Filho

Eis que o pedido chega ao rei dos Tsurus, em uma idílica cena onde esperança encontra o desejo, no Lago Kawaguchiko, da Cidade Yamanashi, no Japão.

Psicanalise Culturalista E Arte

Pocket Exhibition “Cidades Divas No Divã”

Pocket Exhibition Cidades Divas No Diva - Artista e Psicanalista Henrique Vieira Filho
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Henrique Vieira Filho – Artista Plástico e Psicanalista abre seu ateliê para expor suas telas recém-chegadas de New York, Roma e Vienna que retratam grandes metrópoles mundiais e psicanalisa a influência do meio sobre seus habitantes.

Entrada Franca Inscreva-se para visitar a Pocket Exhibition “Cidades Divas No Divã” – Alameda Santos, 211 cj 1411 – São Paulo – SP – CEP 01419-000

O pioneiro analista a demonstrar a importância das relações sociais na formação de nosso senso identitário foi Alfred Adler, cujas teorias influenciaram fortemente os principais ícones da escola norte-americana de psicanálise culturalista., incluindo o meio, a sociedade, a cultura em que o indivíduo se insere como fatores igualmente significativos.

As próximas páginas deste Artigo, de forma lúdica, transformam uma grande metrópole em “Cliente”, emprestando-lhe sentimentos e traumas, em duas sessões de Terapia, com técnicas de Aconselhamento e Arteterapia, por meio de uma divertida e surrealista situação imaginária.

Para saber mais:

Inscreva-se para visitar a Pocket Exhibition “Cidades Divas No Divã”

Biografia – Henrique Vieira Filho – Artista e Psicanalista

Obras de Arte em Exposição na Pocket Exhibition “Cidades Divas No Divã”

Drogas: Êxtase, Arte, Dependência E Terapia

Title: Mistic Vision - Artist: Henrique Vieira Filho - 120 cm x 80 cm - Mixed media on canvas - Visions of La Purga by Pablo Amaringo - Revisited
Title: Mistic Vision – Artist: Henrique Vieira Filho – 120 cm x 80 cm – Mixed media on canvas – Visions of La Purga by Pablo Amaringo – Revisited

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Neste 26/06, Dia Internacional de Combate às Drogas, o Artista e Psicanalista Henrique Vieira Filho apresenta sua mais recente pintura, inspirada nas “mirações” místicas da Ayahuasca e relata como a Terapia Holística atua nestas pautas.

Até mesmo nas Artes Plásticas escreveu-se um capítulo relacionado, como obras pintadas sobre a influência do alucinógeno cipó Ayahuasca, que teve seu expoente na figura do curandeiro peruano Pablo Amaringo, autor de milhares de telas, de uma das quais fiz a releitura que ilustra este artigo (Title: Mistic Vision – Artist: Henrique Vieira Filho – 120 cm x 80 cm – Mixed media on canvas – Visions of La Purga by Pablo Amaringo – Revisited)

Antes de aprofundar a questão, apresento meu posicionamento neste tema tão polêmico: creio que tudo o que se busca por meio das drogas, pode ser obtido por alternativas menos drásticas, tais como técnicas especiais de respiração, posturais, corporais e de induções vivenciais, que igualmente produzem estados alterados de consciência, sem os riscos inerentes de exposição a produtos cujos efeitos a curto e longo prazo ainda não são bem conhecidos.

Milenarmente, todas as culturas praticaram rituais religiosos que se propunham a alterar as percepções da realidade, comumente associando ritmos musicais repetitivos, em alto som, regado a bebidas de teor alcoólico (vinhos, aguardentes, fermentados…) e danças, com a variante de ingestão de vegetais com poderes alucinógenos, muitas vezes restritas aos sacerdotes, em outras, compartilhado com toda a tribo.

Tal somatória resulta na dissolução dos padrões rígidos da personalidade, permitindo contato direto ao conteúdo inconsciente. Os objetivos eram transcendentes, uma jornada “espiritual”, “sagrada”.

Modernamente, a tradição ressurgiu nos festivais “hippies”, inclusive, mantendo-se a busca pela transcendência.

Nos dias de hoje, temos as festas denominadas “raves”, outrossim, sem um objetivo “espiritual” no contexto. Seja como for, o que se constata é um “padrão” que faz parte da história da humanidade e, certamente, merece ser analisado mais profundamente.

Em nossos consultórios, ainda que parte integrante do contexto coletivo/social, o mais comum é que a questão das drogas chegue até nós, de forma individualizada, ou seja trazida pelo Cliente.

A ausência de julgamento, seja positivo, ou negativo, é exigência fundamental em nosso trabalho e o foco é a PESSOA, em seu TODO. Ou seja, o uso das drogas seria mais um dos tópicos a serem trabalhados, visto que é inseparável dos demais.

Devemos, em conjunto com o Cliente, descobrir as motivações, conscientes e inconscientes, que levaram a este padrão de comportamento. Seria uma busca religiosa ? Estaria abafando pensamentos, sentimentos, desejos, lembranças ? Auto-estima em baixa sendo compensada via comportamentos tidos como moda ? Enfim, infindáveis hipóteses e cada caso é um caso, cada momento é único.

Só o transcorrer da terapia pode trazer mais clareza sobre o que ocorre. E, paralelamente à análise, a inclusão de técnicas vivenciais, alternando relaxamento, hipnose, técnicas corporais de toque, respiratórias, renascimento, em suma, uma vasta gama de opções terapêuticas capazes de produzir estados alterados de consciência, sem uso de “aditivos”.

Os produtos consumidos nos dias de hoje, “refinados” quimicamente em laboratórios, certamente são muito mais danosos do que as poções milenares, que eram praticamente em estado natural.

Daí que na sociedade moderna surge a alcunha de “dependente químico”, aquele indivíduo perde o controle sobre o uso da substância, associado com sintomas de abstinência e tolerância, evitadas com o uso constante e cada vez maior, privilegiando o consumo a outras coisas que antes valorizava.

Dentre os colegas de profissão, existe um grupo crescente que foca seu atendimento a este tipo de situação, quase como uma “especialidade”, correndo o risco de perder o enfoque holístico e, o que é ainda mais grave, inadvertidamente ferindo a legislação, correndo o risco de prisão, sendo irrelevante à justiça humana se suas intenções eram nobres ou não.

O CRT – Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística vem detectando um aumento de cursos para “terapeutas em dependência química” realizados em entidades religiosas e que ensinam de forma totalmente inadequada às leis brasileiras.

Quando se trata de Terapia Holística, o trabalho deve focar no atendimento ao CLIENTE e não à “dependência química” em si, pois ao definir tal estado como sendo “doença” e vincular seu trabalho a esta questão, equivale a confessar crime de exercício ilegal de medicina, já que tanto o diagnóstico, quanto o tratamento de doenças são monopólios da classe médica, segundo as leis em vigor e jurisprudência (casos julgados)…

Ou seja, ainda que não trabalhe com internações, quem definir seu trabalho desta forma, corre o sério risco de enquadrar-se em exercício ilegal de medicina…

Extremamente preocupante é o fator “internação”, muitas vezes propagandeada com mais um serviço prestado por estes colegas…

Isto se deve porque, em várias escolas, fazem interpretações distorcidas, tentando justificar este procedimento, citando legislação que nem sequer mais existe (como é o caso da Lei nº 6.368, que foi REVOGADA pela Lei nº 11.343, de 23/09/2006) ou da Lei nº 10.216, cujo objetivo (dentro outros…) é justamente PROTEGER o cidadão para IMPEDIR que ele seja internado involuntariamente !!!

Ou seja, é exatamente o OPOSTO da interpretação que muitos cursos divulgam !!!

Nós sabemos que erram na boa fé, porém, nenhuma autoridade policial e/ou judicial aceitaria tal alegação…

Conforme claramente expressa a lei, toda internação, até mesmo as voluntárias, dependem de um laudo MÉDICO PSIQUIÁTRICO; sem isso, estarão ferindo os direitos da pessoa em questão, além de cometer crimes de sequestro e cárcere privado, dentre outros possíveis enquadramentos…

Mesmo de posse do laudo médico, ainda assim, o estabelecimento precisará prestar “serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e outros”; sem tais requisitos, jamais a instituição poderá sequer candidatar-se a esse papel.

Sabemos que muitos colegas trabalham como aprenderam nestas escolas, contudo, verdade seja dita, infelizmente tais cursos, ainda que talvez bem intencionados, ensinam de forma totalmente equivocada no que diz respeito a adequar-se às leis em vigor….

Urge uma adequação radical na forma de se expressar e modo de trabalhar, pois, a continuar no formato atual, é questão de tempo para muitos colegas serem presos e processados.

Tudo isso pode ser evitado, simplesmente mantendo o foco naquilo que somos: TERAPEUTAS HOLÍSTICOS, os quais, por definição, jamais tratamos “doenças” (no caso, a dependência química…) e sim, cuidamos do indivíduo, em seu TODO, e, como tal, a questão das drogas, se trazida pelo Cliente, será mais um dos múltiplos aspectos a serem considerados e trabalhados, no transcorrer da Terapia.

Henrique Vieira Filho é artista plástico, escritor, jornalista e psicanalista.

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Sua experiência de décadas como terapeuta, em especial, com a Psicanálise Junguiana, lhe possibilita uma familiaridade ímpar com a mitologia e as imagens oníricas, sempre presentes em suas telas.

Seu trabalho artístico se destaca no cenário contemporâneo ao questionar a posse cultural, o tempo e fronteiras, compartilhando culturas, miscigenando tradições, etnias e gêneros, em suas telas.

Enquanto gravurista, é ativista da adoção dos pincéis digitais, das matrizes eletrônicas em substituição às de madeira, pedra e metal e o entintar ecológico por técnicas mistas de tecnologia e intervenções manuais.
Escultor experimental, inovou ao transformar telas e fotografias em objetos de artes tridimensionais, resinando-as parcialmente para serem modeladas via técnicas similares às dos origamis.

Bastante solicitado como retratista, diferencia-se por valorizar a experiência de arte em si, tanto quanto a obra final. Ao incluir a participação do homenageado em seu processo criativo, que envolve fotografia, cenografia, psicodramatizações, figurinos, pinturas corporais, mesclados em exercícios lúdicos, acrescenta às telas valores emocionais que transcendem a apreciação puramente técnica.

Ingresso recente no mundo das Artes Plásticas, Henrique Vieira Filho é reconhecido como expoente em anuários e publicações especializadas, além de representar no Brasil, o Movimento Slow Art que busca ampliar a experiência da apreciação das Artes.

Extremamente ativo, em menos de dois anos, conta com cerca de quarenta Exposições em diversas capitais brasileiras, além de galerias da Europa, Ásia e Estados Unidos.

Integrando Terapias

A Deusa Terapeuta - Arte: Henrique Vieira Filho

Integrando Terapias

Neste Artigo, Henrique Vieira Filho exemplifica como integrar as mais diversas técnicas terapêuticas distintas (acupuntura, psicanálise, terapia floral, shiatsu, dentre outras…) criando um ambiente lúdico, eficiente e motivacional em consultório, para melhor atender os Clientes em suas buscas por equilíbrio, qualidade de vida e autoconhecimento.

Na abordagem da Terapia Holística, os aspectos físicos, psíquicos, sociais e transpessoais são inseparáveis e trabalhados de forma simultânea.

É essencial a todo Profissional propiciar aos seus Clientes um leque de técnicas terapêuticas distintas, integrando-as de forma harmoniosa, ora somando, ora alternando, adaptando-se a cada momento da pessoa atendida.

E, tudo isso, eficazmente praticado no limite da famosa “hora de 45 minutos”, a cada semana!

Na medicina, a formação é “generalista” e, só após, o indivíduo parte em busca de especializações, focando em um limite de duas técnicas.

De forma oposta, o Terapeuta inicia focado em uma única linha terapêutica e, ao amadurecer, parte em busca de nossos recursos, somando mais e mais técnicas, sendo este o perfil majoritário de quem se identifica como Holístico.

De certo, não basta somar, tresloucadamente, uma infinidade de técnicas: há de integrar de forma harmoniosa, coerente e sempre em equilíbrio quanto ao que o Cliente necessita e o que está preparado a receber, naquele exato momento.

Quem procura um Terapeuta Holístico anseia por um atendimento absolutamente diferente da abordagem “médica”, pois isto já o tem, seja via planos de saúde ou particular.

Saber OUVIR ao Cliente, de corpo e alma, de forma GENUINAMENTE interessada (interesse “simulado” não convence…), ou seja, com EMPATIA (que é distinta da ingênua “simpatia”…) tem que ser contínuo, desde o primeiro minuto de sessão, até o final.

Para tal, o básico a aplicar são as técnicas de ACONSELHAMENTO (que é radicalmente diferente de “dar conselhos”…), evoluindo, sempre que detectar-se a receptividade, para Psicoterapia Holística (teceremos mais detalhes adiante).

Eficazes e desejadas pelo público, as técnicas de “equilíbrio energético” podem ser aplicadas conjuntamente à “terapia pela fala” (do Cliente, não do Profissional, pois este tem o dever de mais ouvir, do que falar…).

Variantes do que o leigo e a imprensa chamam de “Acupuntura” são boas medidas, pois a avaliação do desequilíbrio pode ser obtida de forma simples e rápida, seja via Pulsologia de Nogier (método mais prático do que sua versão ancestral chinesa…) ou sensibilidade ao toque nos Pontos de Alarmes (localizados nos caminhos de energia conhecidos como “meridianos”).

A ativação dos pontos energéticos podem ser via agulhas (muitos Clientes são tradicionalistas…), toque (igualmente eficiente…), luzes, apliques de metais ou fitoterápicos, enfim, basta escolher aquele que obtiver melhor aceitação ao momento.

Os dados obtidos, tanto durante a conversação, quanto via análise energética, já possibilitam a seleção e recomendação de recursos terapêuticos que atuam além do tempo de sessão, tais como Fitoterapia (na forma de chás…) e essências sutis, como os populares Florais de Bach.

Note a INTEGRAÇÃO, pois inexiste “separação” entre a terapia verbal, o atendimento via pontos de equilíbrio, a Fitoterapia e a Terapia Floral, tudo fluindo em continuidade, onde o que se obtém em uma técnica, já antecipa o necessário à outra.

Usualmente, metade do tempo de sessão terá sido suficiente para aplicar tudo que descrevemos até aqui. Ou seja, ainda há minutos eficientes para investir no que é FUNDAMENTAL à Terapia Holística: a otimização da Qualidade de Vida via Autoconhecimento!

Ou seja, retomamos, aqui, a Psicoterapia Holística, a qual transita, conciliando, desde a clássica Psicanálise Freudiana, abraçando, com paixão, a linha Junguiana, abrindo espaço para o caminho corporal de Reich e Bioenergética, ousando incluir o Transpessoal e a Arteterapia, como igualmente mantemos abertos para as comportamentalistas PNL (Programação Neurolinguística) e Hipnose.

Esta é a etapa mais complexa, tanto no tocante ao aprendizado e estudos, quanto na execução prática, cujos resultados constituem o principal fator motivacional ao Cliente para a continuidade semanal da Terapia!

Muitas vezes, inicio esta etapa ainda no divã, que, na verdade, é uma cadeira shiatsu (uma boa alternativa a Clientes que não estão abertos ao toque direto…), auxiliado por músicas, aromas relaxantes e “comandos” verbais relaxantes (adaptados a cada momento da pessoa atendida…).

Uma vez tendo aplacado o racional e aberto caminho para o espontâneo, o imaginativo, costumo focar em uma pauta que esteja em evidência no momento, como por exemplo, um sonho que se tenha recordado… um desconforto corporal… um acontecimento… uma imagem…, enfim, um ponto de partida para a criação de uma história “imaginada”, um exercício de imaginação que, sendo bem conduzido, desperta emoções, lembranças e “insights”, que são auto-descobertas que surgem como que de pronto, onde infindáveis informações, conclusões emergem, de uma só vez, condensados em um “lampejo” de consciência.

As catarses emocionais, não raro, explodem em choros, risos, acessos de raiva, tudo em ambiente seguro, sigiloso e amparado de consultório.

Muitas vezes, os “insigths” ocupam muitas novas sessões para serem assimilados e compreendidos. É um processo de autodescoberta gradativo e fascinante!

Para aqueles mais receptivos ao toque direto, um caminho eficaz é associar as manobras corporais orientais e milenares (shiatsu, anma, tuiná, abhyanga, etc…) , com a percepção ocidental e moderna da terapia reichiana e bioenergética, na qual o toque manual aciona lembranças dormentes e emoções reprimidas, as quais, uma vez afloradas via catarses, abrem a possibilidade para serem compreendidas e assimiladas.

Outros indivíduos, com maior sensibilidade artística, aplico exercícios de imaginação ativa, associações de ideias (espontâneas ou direcionadas…) tendo como base: pinturas, fotografias, esculturas, fantasias e cenários, que espelham e ampliam as emoções e lembranças, as quais, sob este ambiente lúdico e criativo, passam por menor interferência dos pensamentos racionais.

Cada Cliente, cada atendimento, é um caso à parte e seremos Terapeutas melhor sucedidos ao dispormos de um variado leque de técnicas.

Quando bem INTEGRADAS, as mais variadas técnicas fluem naturalmente, de uma à outra, sem perda de fio de meada, mantendo viva a motivação para a continuidade da Terapia, propiciando a cada Cliente uma EXPERIÊNCIA de vida, a cada sessão.

É bem o ditado em que o resultado é bem mais amplo do que a simples soma das partes!

Mais Dez Técnicas Complementares Aprovadas No SUS

Justiça vs Terapias
Justiça vs Terapias – A Reserva de Mercado Determinada Via Judicial, Portarias e Decretos

Mais Dez Técnicas (“complementares”…) da NOSSA Profissão Aprovadas No SUS

O Povo Pediu Pão, O Governo Ofereceu Brioches…
Só Que Estão Sem Ingredientes E Ninguém Sabe Cozinhar…

Jamais subestime a capacidade de nossos governantes em desagradar gregos e troianos ao mesmo tempo…

Deveria ser uma ótima notícia para todos nós, Terapeutas: nesta semana, o Ministério da Saúde, em um congresso sobre a NOSSA Profissão, anunciou que mais outras dez técnicas NOSSAS foram incorporadas ao SUS: Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação familiar, Cromoterapia, Geoterapia, Hipnoterapia, Imposição de mãos, Ozonioterapia e Terapia de Florais.

Claro, há todo um lado óbvio e positivo nisto; afinal, em tese, é um “reconhecimento” de que sempre estivemos certos em abraçar as técnicas holísticas, tão perseguidas na história.

Vamos, agora, ao lado “negativo”…

Primeiro, foi “escolhido” um péssimo momento… Afinal, anunciar um “gasto público extra” em plena crise econômica e perante um verdadeiro caos no serviço público de saúde, onde falta quase tudo, só poderia causar revolta e desaprovação social.

Esse referido congresso (1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública – INTERCONGREPICS) foi composto tão somente por… MÉDICOS e POLÍTICOS, além de convidados internacionais da OMS – Organização Mundial da Saúde (também médicos e políticos…).

Pasme: NENHUM Terapeuta “não-médico” BRASILEIRO pode fazer parte, nem dos estudos, nem dos textos, nem das conclusões… Por sinal, isto não é nenhuma novidade… Sempre foi assim! Apenas a partir de 1992, com a fundação do CRT e do SINTE é que as coisas começaram a mudar e, pelo visto, regrediram novamente, nos últimos governos.

Todos bem recordam que, faz cerca de 20 anos, o CRT – Conselho de Auto Regulamentação da Terapia Holística recrutou equipes de voluntários, por todo o Brasil, para a chamada “Residência Em Terapia Holística No Serviço Pùblico de Saúde”. Mediante leis e decretos municipais, sem nenhum custo aos cofres públicos, nossos Credenciados atenderam GRATUITAMENTE a população carente e com enorme sucesso.

As repercussões nos meios de comunicação foram excelentes, com todos os grandes veículos da imprensa televisiva e escrita elogiando.

Perante o inegável sucesso da empreitada, a classe política tratou de “pegar carona” e, tardiamente, em 2006, iniciou a implantação de NOSSAS técnicas junto ao SUS…

Entra ano, sai ano, criam novas Portarias, muitas vezes só “cosméticas” (alterando termos, códigos, trocando “seis por meia-dúzia”…), enquanto que, em outras vezes, algo de bom é estabelecido.

Outrossim, um parâmetro não mudou: as NOSSAS técnicas, majoritariamente, serão exercidas no SUS tão somente por OUTRAS profissões que nunca estudaram para tal!

Em tese, das 29 técnicas “complementares” aceitas pelo SUS, os profissionais que REALMENTE as estudaram e praticam (NÓS…), em apenas algumas poucas, existe a possibilidade legal de sermos aceitos, pois, TODAS são focadas nos “mesmos de sempre”: médicos, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, educadores físicos e as demais profissões “chapas brancas”.

Por exemplo: sou Artista Plástico e Arteterapeuta, mas… não seria aceito pelo SUS para exercer… Arteterapia!! Sou também Educador Físico (CREF…) e, ironicamente, com esse título, poderia ser mais facilmente contratado, ainda que, JAMAIS tenha sido estudada Arteterapia nos cursos de Educação Física!

Na prática, nestes DOZE ANOS em que o Ministério da Saúde encampou nossas técnicas, nunca foi aberto nenhum concurso público para contratação de colegas da NOSSA Profissão. Simplesmente TODOS os cargos com NOSSAS técnicas são preenchidos com os profissionais “de sempre” do SUS…

Claro, alguns poucos colegas conseguiram vencer esta barreira… Contam-se nos dedos das mãos os que foram contratados, em todo o Brasil… Tais exceções, confirmam a “regra”…

No início deste artigo, ressaltei essa capacidade ímpar do governo em desagradar a todos… Quem mais reclamou do andamento? Ora, simplesmente a profissão mais favorecida por todas estas portarias: o Conselho de Medicina protestou que não adianta implantar, por exemplo, “Terapia Floral”, pois os médicos são PROIBIDOS de exercer esta técnica… Também não adianta sequer cogitar em adquirir “kits de essências”, sendo que medicamentos básicos estão em falta no SUS.

Lembrando ainda que os enfermeiros tiverem recente derrota judicial que os impede de montar consultórios, bem como farmacêuticos, que ora são impedidos de exercer, por exemplo, Acupuntura, ora são liberados e o mesmo acontecendo com os psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, TODOS em disputas judiciais com o Conselho de Medicina, quanto a quais técnicas podem ou não exercer…

Enfim, diante de tantos processos legais em busca de “reserva de mercado”, esquecem, inclusive, o lado ÉTICO e TÉCNICO: como nunca estudaram NOSSAS técnicas em seus cursos de formação, como é que pode, mediante simples “canetadas”, se tornarem aptos a exercer as “complementares” no SUS?!…

O Ministério da Saúde se propõe a ofertar “brioches gastronômicos”, mas, não tem nem os ingredientes, nem os “chefs” que saibam preparar tais receitas…

E, se pesquisarem nos milhares e milhares de comentários nas reportagens sobre esta pauta, verão que o mais inconformado e contrariado é… o POVO!

É nítido que estão pedindo “pão”, ou seja, o básico na saúde pública: querem mais médicos, mais hospitais, mais exames, menos filas, mais medicamentos… E estão (muito…) revoltados com o que consideram uma “extravagância”, um “desperdício” de dinheiro público com o “alternativo”, sendo que nem do “oficial” o SUS dá conta…

Esta mesma revolta está acontecendo em Portugal (do povo e da IMPRENSA, inclusive…), onde os órgãos oficiais da educação daquele país aprovaram que passem a existir cursos reconhecidos em nossas técnicas…

Verdade seja dita: a Terapia Holística, na atual realidade, é apreciada e desfrutada por uma pequena parcela privilegiada da Sociedade.

Afinal, só quem já tem suas necessidades básicas (alimentação, moradia, emprego, acesso à medicina convencional…) satisfeitas é que pode se dar ao “luxo” de buscar qualidade de vida e autoconhecimento.

Ainda não será desta vez, que nossos deliciosos e gastronômicos “brioches” serão servidos à população em geral…

Mas, sem dúvida, foi dado mais um pequeno passo para que isso venha a acontecer… Algum dia…

Meus votos de ótimos atendimentos em seus consultórios (particulares…) para todos os colegas!

Henrique Vieira Filho
Terapeuta Holístico – CRT 21001

Cidade Diva No Divã: São Paulo Na Terapia

Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista).
Nesta divertida ficção, São Paulo está em sessão de terapia holística (psicanálise, acupuntura, vivências…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.

Cidade Diva No Divã
São Paulo Em Terapia – Primeira Sessão

FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003

Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001

São Paulo Antiga
São Paulo Antiga

Nome / Cliente: Cidade de São Paulo
Endereço: Latitude: -23.5489, Longitude: -46.6388 23° 32? 56? Sul, 46° 38? 20? Oeste
Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…)
Apontamentos:
Minha nova Cliente é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona… Apesar de desconfiar que sua foto na ficha está desatualizada…
Nesta nossa primeira sessão, pontuou que, às vésperas de seu aniversário, considera que chegou o momento de re-investir em autoconhecimento.
Cidade:
_ Eu já passei por terapia, faz algum tempo, com um psicanalista, colega seu… Só não concordo com tudo o que ele analisou! Até me chamou de histérica!
Terapeuta:
_ Talvez ele tenha dito que sua personalidade é do tipo histérica, ou seja, que se percebe como irresistível a todos, sedutora por seu potencial, por suas oportunidades.
Cidade:
_ Acalento o sonho de tantos, mas, sei que também posso virar pesadelo. Sou uma quatrocentona cheia de charme! Quando desfilo pelo mundo, ornada com o Masp, o Teatro Municipal, a Estação da Luz, a Ponte Estaiada… Hum… Sabia que até o Tom Jobim cantou que me amava? Mas, linda mesmo, eu era quando menina!
Terapeuta:
_ Me fale sobre a sua infância…
Cidade:
_ Bons tempos, aqueles! Minha beleza não era construída, como hoje em dia… Era totalmente natural! Florestas densas, animais exóticos, rios, muito sol…
Fui revolucionária: a primeira dentre as minhas irmãs a morar no interior! Todas as demais nasceram e cresceram junto ao mar… Eu me aventurei pelas matas e me estabeleci em uma colina circundada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú, que fechavam um delta com uma enorme área alagada: as várzeas do Carmo e do Glicério. Eu era como uma ilha! Sabia que o Padre Anchieta teve que vir de barco para me batizar?…
Terapeuta:
_ Como é a relação com suas irmãs?
Cidade:
_ Elas me criticavam muito… Diziam que eu era louca de morar no interior, com tantas praias que ainda faltavam desbravar… Minhas irmãs tinham porto, navios para o comércio, estavam fazendo fortunas e se vangloriando! Só que eu provei para elas que sou tão boa quanto! Dei duro, trabalhei sem descansar, sem dormir e me tornei esta megalópole que você conhece! Mostrei para elas todas que eu não precisava de oceano, coisa nenhuma!
Terapeuta:
_ Notei a sua pausa reflexiva… Creio que você teve o que chamamos de “insight”…
Cidade:
_ Minha autoestima estava frágil com essa questão de não ter oceano… Acabei por negligenciar e negar as minhas próprias águas! Cobri meus rios com vastas avenidas… Sabia que dois terços delas correm sobre os antigos caminhos das águas?
De tanto me infernizar com as minhas irmãs/rivais do litoral, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, a minha relação com minhas águas foi indo de pacífica, com direito a regatas no rio Tietê, para uma investida furiosa contra os rios, riachos e córregos. Quis apagar as águas até o último vestígio!
Terapeuta:
_ Respire fundo… Deixe vir as emoções… Os “insights” são assim: uma infinidade de informações em uma fração de segundo; levará algum tempo para “digerir” e elaborar tudo.
Cidade:
_ E então, meu caro terapeuta… Vai me aplicar acupuntura? Recomendar uns florais de Bach? Reflexoterapia? Arteterapia, quem sabe?…
Terapeuta:
_ Possivelmente, uma mescla destas técnicas…. Notei mesmo essa zona reflexa, aqui na região da Cracolândia necessitando de alguma atenção; uma “acupuntura”, só que SEM agulhas, pode ajudar… No mais, creio que a Arteterapia será um bom caminho para ampliar a consciência perante o “insight” de hoje e os futuros, que certamente virão…
Cidade:
_ Minha personalidade “histérica” está retomando: pintarei um autorretrato!
 
Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua primeira consulta…
Tela Polimetropolis - Artista Henrique Vieira Filho
Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

Título: “Polimetropolis”
Artista: Henrique Vieira Filho
Técnica: Mista
Tamanho: 120 cm x 80 cm
Ano: 2018

CALENDÁRIOS, DEUSES E O NEXO TEMPORAL

Deus Jano
Deus Jano – Arte: Henrique Vieira Filho

CALENDÁRIOS, DEUSES E O NEXO TEMPORAL

Final de ano, início de outro…

A humanidade desenvolveu CALENDÁRIOS como uma tentativa de compreender, prever e até conquistar o TEMPO e, assim, acalmar boa parte de nossos temores quanto a este conceito que parece fluir em constante fuga, sendo a distância entre a causa e o efeito de tudo que presenciamos.
Estabelecer e seguir um calendário é adquirir a sensação de segurança, de integrar-se ao ritmo do Universo e esta iniciativa é milenar e comum a todas as culturas.
Existe uma infindável variedade de medições do tempo conhecidas, destacando-se os calendários egípcio, grego, asteca, romano, maçônico, revolucionário (relativo à Revolução Francesa de 1789), chinês, muçulmano, gregoriano….

O que existe em comum é a tentativa de marcar no tempo, pontos de referência que relacionados aos fenômenos naturais, cuja evolução e repetição periódica são passíveis de observação.

Organizar o tempo é ter-se a impressão de dominar, através da regulamentação, aquilo a que não se pode escapar.

É possuir um meio de marcar as etapas da própria evolução humana, exterior ou interior, e de celebrar, ao mesmo tempo, numa data fixa, tudo aquilo que faz lembrar as relações do homem com os deuses ou o cosmo, ou com os mortos.

A contemplação de um calendário evoca o perpétuo reinício. Ele é o símbolo da morte e do renascimento, assim como da ordem inteligível que preside ao escoamento do tempo; é a medida do movimento.

(Extraído de CHEVALIER, Jean – Dictionnaire des Symboles. Paris, Éd. Robert Laffont S.A. e Ed. Júpiter, 1982)

Por serem mais curtos e mais fáceis de observar, os ciclos lunares formaram a base dos calendários de muitas culturas. O ciclo solar é mais complexo, exigindo estágios culturais mais avançados para serem adotados.

O calendário egípcio antigo já era bem elaborado e perfeitamente adaptado às necessidades locais: ano de 365 dias, dividido em 12 meses de 30 dias e mais 5 dias adicionais, sendo os meses, agrupados em três estações: inundação, inverno, verão.

Dias e noites são divididos em 24 horas, que a astronomia helenística sub-dividirá em 60 minutos, de acordo com o sistema sexagesimal que é de origem babilônica.

Já entre os primeiros hebreus, o sistema era lunar, herdado dos fenícios, porém, no período bíblico, passou a ser solar.

Via de regra, o calendário está em paralelo com os ciclos da natureza.

Porém, a modernidade impôs, de forma global, uma uniformidade COMERCIAL, sendo adotado um mesmo padrão em todo o mundo, ignorando-se a falta de sincronismo com os eventos naturais.

Por exemplo:

Enquanto o “fim de ano”, no Hemisfério Norte, está em sincronia com o INVERNO, ou seja, o período de declínio energético, do risco de morte, das adversidades da natureza, seguido na PRIMAVERA, como ponto de partida de um “ano novo”, aqui no Brasil, temos que nos convencer que o ciclo “acabou” justamente no VERÃO, ou seja, quando estamos no auge da energia e deveríamos estar no máximo da ação…

Boa parte do calendário atualmente adotado, deriva dos modelos juliano (homenagem ao imperador romano Júlio Cezar…) e gregoriano (dedicado ao papa Gregório…).

Para melhor compreender os significados simbólicos atribuídos a cada mês, existe uma interessante série de poemas escritos por Públio Ovídio Nasão (Publius Ovidius Naso), em seu livro Fastos, onde descreve as festas religiosas romanas, dos seis primeiros meses do ano.

Mesmo sendo um autor “pagão”, Ovídio permaneceu na lista de literatura “permitida” pelo Vaticano do século XII.

O mês de Janeiro, Ianuarius mensis, em latim, era dedicado ao deus Jano, protetor de todos os começos, representado com duas faces, uma voltada ao passado, outra, ao futuro, sendo conhecedor de tudo o que já ocorreu ou que virá a acontecer.

Februarius mensis, ou, Fevereiro, é o mês reservado às cerimônias de purificação e expiação denominadas Februa, não sendo dedicado exclusivamente a nenhuma divindade em especial.

Março, Martius mensis, relativo a Marte, deus guerreiro, era o mês inicial do antigo calendário romano, pois era considerado o pai mitológico de Rômulo, primeiro rei de Roma, além de preparar para a primavera (hemisfério norte…) que aflora no mês seguinte, ou seja, Abril (Aprilis, aperire), que significa ABRIR, período dedicado a Vênus, deusa da fertilidade, do amor; também, são homenageadas as deusas Flora, Vesta e Ceres.

O mês de Maio (Maius mensis, em latim), possui variadas versões quanto à etimologia: ou deriva da deusa Maia, mãe de Mercúrio, como também pode originar de “aos Maiores” (Maius), ou seja, período dedicado aos mais velhos, aos antepassados.

Por sinal, esta versão corrobora a de que Junho (Iunius, iuvenis = jovens, juniores…) fosse um período em homenagem aos jovens; outrossim, também pode ser atribuído à deusa romana Juno, que é assemelhada à poderosa Hera, da mitologia grega.

Alguns estudiosos associam ao verbo iungo, que significa juntar, unir, pelo fato de ser este mês atribuído ao da unificação entre os romanos e os sabinos (após o episódio do “rapto das sabinas”…).

Os meses de Julho e Agosto homenageiam os imperadores romanos Júlio e Augusto, iniciando-se, a partir deste ponto, a nomeação sequencial numérica para os demais (antes de Júlio Cezar, o calendário era subdivido em 10 meses…):

Setembro (mense septembri, relativo ao numeral “sete”), Outubro (Octóber mensis, oito…), Novembro (novembris, nove…) e Dezembro (decèmber, dez…).

Como podemos constatar, nosso calendário atual é povoado por deuses, imperadores e algarismos romanos e certamente existe uma SINCRONICIDADE entre tais tópicos e as predisposições comportamentais de cada mês…

Se nas regiões Norte de nosso planeta, ainda existe uma cerca sincronia entre o significado de cada mês e as estações do ano, tornando mais fácil o entendimento, ainda assim, por força da globalização que padronizou as medições do TEMPO, perdeu-se a relatividade e universalizou que dezembro é o FIM (ainda que no Brasil, seja VERÃO e não inverno…) de um ciclo, que re-INICIA em janeiro (que aqui, ainda é verão, ao invés de PRIMAVERA…).

Na antiguidade, os povos comemoravam o término do período difícil, de tempo frio, neve, isolamento, falta de alimento, alegrando-se com a volta do calor, da abundância de recursos, do retorno às atividades, ao desabrochar da vida…

Modernamente, continuamos a celebrar, não mais pela sintonia de nossas emoções com a natureza à nossa volta, mas sim, muito mais por adaptações religiosas às datas festivas “pagãs” e pela pressão social que impõe a todos seu calendário COMERCIAL padrão.

Outrossim, não raro, muitos de nós sentem- se desconfortáveis, até mesmo envoltos em emoções “contra a corrente” do momento, vivenciando tristeza, raiva, medo…

Talvez,interiormente, estejam ainda em pleno FOGO de verão, desejosos em realizar sonhos, em materializar objetivos, enquanto o restante da sociedade lhe despeja um balde de gelo invernal, dizendo: acabou-se o TEMPO

O mito de Jano, o rei-deus guardião de Saturno/Cronos (o tempo…), homenageado, não por acaso, em Janeiro (início dos anos…) nos apresenta um rosto voltado para o passado, outro, ao futuro e uma fusão que ocorre no exato momento da passagem entre os extremos, o NEXO, instante fora do tempo e espaço, em que é sentida intensa comoção pelo término de um ciclo de vida.

O sofrimento experienciado por muitos de nós, é consequência da permanência no Nexo, refúgio desconfortável onde se ilude eternizar aquilo que é efêmero, passageiro….

É o complexo saturnino, descrito na Psicanálise, com a recusa de “perder”, de deixar passar, aquilo a que nos ligamos sucessivamente na vida, evocando o outro lado do mito de Cronos, em que devora seus próprios filhos.

Jano toma conta do TEMPO, sem jamais pretender dominá-lo ou detê-lo.

É igualmente o senhor dos portais, das entradas e saídas, e ao fechar uma porta, simultaneamente abre outra…

Sofremos por insistir no caminho já trilhado e agora fechado, deixando de perceber a nova porta aberta, à espera de nossa passagem por ela.

Ainda que sem sincronia perfeita com a natureza (individual e ambiental…), que o calendário que, não por acaso, adotamos, bem nos sirva para cerrar, como chave-de-ouro, as portas deste ano e para abrir o novo ciclo.

Esses são os votos de um feliz rito de passagem, de seu colaborador junguiano e sem nexo.

HENRIQUE VIEIRA FILHO

Artista Plástico, Psicanalista

Autor de diversos livros, centenas de artigos, palestrante, docente, articulista colaborador em diversos veículos de comunicação.

contato@hvfartes.com.br

WhatsApp – 11 – 93800-1262

 

As Tradições Xamânicas E Sua Incorporação À Mitologia Do "Papai Noel"

Este artigo tece um paralelo entre os costumes dos antigos xamãs siberianos, a elaboração da figura de São Nicolau e como tais histórias mesclaram e chegaram até nossos dias, transformada em “Papai Noel”.
Já abordei em outra oportunidade que os atuais Terapeutas Holísticos descendem, em sua forma de terapia, dos antigos xamãs e sacerdotes, sendo que, é claro, adaptando as técnicas às normas da sociedade atual. Por exemplo, séculos atrás, o acesso ao inconsciente, não raro, era obtido via ervas alucinógenas, enquanto que, na Terapia Holística, o mundo onírico é alcançado de forma bem mais saudável, com métodos de relaxamento, associações de idéias, vivências induzidas pelo toque, hipnose, dentre outras opções.
Desta vez, focaremos na figura milenar dos Xamãs Siberianos, vestindo suas pesadas roupas de pele, viajando velozmente em seus trenós puxados por renas, em busca do sagrado cogumelo vermelho e branco, colhidos um a um e armazenados em um saco de couro, para serem compartilhados com os membros destacados da tribo. O sacerdote entra pela chaminé das moradas (a passagem para as pessoas e para a fumaça das fogueiras é a mesma, neste tipo de tenda…), presenteando os moradores com suas cantigas, danças e, é claro, o fungo mágico, o qual, para ter sua toxidade diminuída, é assado na fogueira, espetado em galhos. Alguns dos efeitos deste vegetal é a sensação de voar, além de vermelhidão nas bochechas e nariz, comumente acompanhados de surtos de gargalhadas…
Qualquer semelhança com a moderna figura do Papai Noel de rosto rosado, aterrizando de seu vôo, colocando presentes à lareira, assando marshmallows e rindo à toa, é muito mais do que coincidência…
Das terras geladas do Norte, as histórias destes poderosos xamãs migraram para o restante do mundo ocidental, criando sincretismo com as lendas já estabelecidas anteriormente.
Para alcançarmos a mercantilizada e moderna figura do “Papai Natal” (natalis no latim, derivada do verbo nascor ou seja, “nascer”, de onde originaram “natal”, em português, “natale”,  em italiano,  e “noël“, em francês…), temos que destacar a forte influência de duas organizações muito poderosas: a antiga igreja romana e… o fabricante de um famoso refrigerante !
Uma das eficientes estratégias de disseminação na “nova” religião era a de incorporar para si, as datas, festejos, ritos e personagens de suas “concorrentes”, adaptando-os para si. Desta forma, eram mais facilmente aceitos e compreendidos pela população, acostumada com os antigos deuses e cerimônias. Por exemplo, a data comemorativa do nascimento de Jesus de Nazaré foi alterada mais de uma dezena de vezes, convenientemente coincidindo com festividades já existentes do público alvo. A última data assumida corresponde ao solstício de inverno no hemisfério norte, ocasião em que festejavam o deus Mitra, cujo principal templo era onde hoje se encontra o Vaticano… Especificamente sobre o tema deste artigo, os publicitários (também me considero um…) papais conseguiram “salvar vários coelhos com uma só cajadada no caçador” (é que sou vegetariano…): criaram o “super-xamã” ! Nenhum trenó de renas voava mais veloz do que o do bispo Nicolau; ninguém trazia presentes melhores que os dele: moedas de ouro para as donzelas sem dote e brinquedos para as crianças, fabricados por um exército de demônios que ele subjugou, obrigando-os a trabalhar para ele.
As mesmas forças que transformaram “vossa mercê”, em “vós mecê”, depois em “mecê”, “você”, “ocê”, até o atual “cê”, fizeram com que “Saint Nikolaus” (Santo Nicolau) migrasse para os Estados Unidos, como “Santa Claus” e de um bispo católico, para um personagem cristão genérico.

Ilustração de Santa Claus, por Thomas NastNovamente os publicitários tem seu papel nesta história e a primeira figura da nova versão do personagem de que se tem notícia é de 1863, de autoria de Thomas Nast, mantendo traços de figuras bíblicas, como a respeitável barba branca, mas trajando roupas estilo esquimó, apropriadas às terras gélidas e distribuindo presentes, como o santo católico e os xamãs. Pela primeira vez, a lenda de Santa Claus aparece associada aos festejos natalinos, tradição esta incorporada em definitivo até nossos dias. Santa Claus - Campanha Coca-Cola - 1931
Alguns estudiosos do xamanismo afirmam que, nas cerimônias com os cogumelos sagrados, os sacerdotes vestiam-se com as mesmas cores deste alucinógeno vegetal. Eis que em 1931, finalmente o personagem é ilustrado com vermelho e branco, justamente as cores do rótulo da bebida que patrocinou a campanha publicitária, que se renova todos os anos, desde então, associando o “bom velhinho” a esta marca específica.
É uma ironia do destino que, este produto que nasceu como xarope para dores de cabeça e que se reinventou como refrigerante, utilize as mesmas cores do fungo “mágico”, ainda mais porque seu nome sugere que os extratos vegetais de sua fórmula secreta tenham a ver com a folha-de-Coca e a noz-de-Cola, poderosos estimulantes, mas que, felizmente, longe estão da toxidade da referida planta xamânica.
Claro, sei que existe muitas outras versões igualmente plausíveis para tudo que abordamos neste pequeno texto. Creio que nunca saberemos o que é verdade e o que é ficção, quais histórias foram propositadamente criadas com fins bem definidos e as que surgiram espontaneamente oriundas dos sonhos e anseios da humanidade. O importante é constatarmos que estas festividades, mais do que simples produtos do mercantilismo moderno, remontam ao universo dos Arquétipos, dos Símbolos e do Inconsciente Coletivo, que fascina não só aos Terapeutas Holísticos (inclusive, por obrigação profissional de estudar…), como a qualquer indivíduo em busca do conhecimento.
Independente disso, ainda que no Brasil seja verão, desejo um feliz festejo de solstício de inverno para todos !

A Acupuntura Minimalista

Coleção VCDs Palestras Holística 2008

Tenho me esforçado para desenvolver versões técnicas, éticas e JURIDICAMENTE CORRETAS para a Terapia Holística. Isso implica em adaptar textos e nomenclaturas para nossas áreas.

Na Terapia Tradicional Chinesa, os milenares textos do Nei Ching (ou Nei King, se alguém fizer questão…) foram traduzidos por um MÉDICO para o coreano e, depois, para o francês… Pasmem: a cada página do ORIGINAL, ele acrescentava cerca de 5 páginas da cabeça dele !!!! Com “tabelinhas de pontos x DOENÇAS” (monopólio médico…) !!!!!
Quem ler ATENTAMENTE a versão em francês, percebe quando é texto original (são praticamente poesia e filosofia…) e quando é do MÉDICO. Mas, as traduções em português nem sempre deixam isso claro…
Esse formato “modernoso” de “tabelinhas” (pontos para isso, pontos para aquilo…) não tem tradição milenar e é tão somente o modo como os médicos imaginam que seja a terapia dos pontos…
Nos tempos antigos, a pulsologia e o toque no corpo é que determinava onde aplicar a estimulação. Na Holopuntura, resgatamos estes procedimentos, somando àquilo que a modernidade trouxe de bom, que são os mapeamentos, sobre os quais focamos no caminho dos Cinco Movimentos Chineses, tornando muito mais acessível sua aplicabilidade e entendimento. A Holopuntura não é, em si, uma “novidade”; trata-se de uma RE-visão do que chamamos de “acupuntura sistêmica” e da reflexoterapia.
Um “retorno às origens”, onde cada caso era um caso e não havia “receitas de pontos” pré-determinadas. Assim sendo, nossos mapas Reflexoterápicos (Auricular, Podal, etc…) ao invés de se dispersarem em detalhes anatômicos que só interessariam aos médicos, quintessenciamos sua abordagem para 5 zonas reflexas, uma para cada um dos Movimentos (Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal). Uma das grandes vantagens das Reflexoterapias é que simplesmente, em tese, “NÃO EXISTE PONTOS”, sendo que estes só surgem como reflexos de algum desequilíbrio.
Assim sendo, ao localizar um ponto (via Pulsologia de Nogier, de preferência…), automaticamente já identificou onde aplicar o estímulo, seja ele o toque, agulha, imãs, cores, fitoterápicos, etc, etc…
Nesta mesma linha “minimalista”, nosso mapeamento de pontos sistêmicos (os que estão distribuídos pelos meridianos corpóreos) focou para a terapia aqueles localizados dos dedos (das mãos e pés…) até a dobra do cotovelo (braços…) e do joelho (pernas…), justamente os pontos correspondentes aos Cinco Movimentos Chineses.
A pré-seleção do meridiano a se trabalhar ocorre via toque nos assim chamados Pontos de Alarme, cuja sensibilidade irá determinar qual meridiano pesquisar. Tal “pesquisa” é realizada via toque no trajeto do meridiano que corresponde ao Ponto de Alarme detectado e, novamente, via sensibilidade ao toque, descobre-se onde realizar a estimulação terapêutica.
No atendimento de consultório, basta um dos procedimentos acima (ou Reflexoterapia, ou Terapia nos Meridianos Corpóreos). Notei que alguns colegas aplicavam ambos os procedimentos, na mesma pessoa e na mesma consulta, o que é desnecessário. Para fins de estudos, claro que é interessante. Contudo, na prática de consultório, se torna um inconveniente, já que bastaria apenas uma das duas formas ser aplicada, resguardando um tempo maior do horário justamente para o ACONSELHAMENTO.
Para escolher qual caminho terapêutico seguir com cada Cliente, uma referência é justamente o grau de aceitação ao toque: se a pessoa não se sente à vontade para expor as regiões dos pontos de alarmes, ou mesmo, braços e pernas, utilize a Reflexoterapia. A espectativa do Cliente também deve ser considerada; afinal, se ele vem ao seu consultório já na pré-idéia de que receberá “aplicações pelo corpo”, ou se ele já chega imaginando “fitinhas na orelha”, o Terapeuta Holístico pode e deve atender a esta “imagem” que o Cliente já possui, angariando deste uma maior receptividade ao atendimento. O mesmo bom senso deve ser aplicado quanto à escolha do tipo de estimulação.
Ora, se o Cliente “morre de medo” de agulhas, obviamente deve escolher OUTRA opção de estímulo… Se for fã de fitoterápicos, aproveite e aplique plantas nos pontos… Já se ele for mais observador de cores, que tal aplicar Cromopuntura ? Ou seja, somos nós, os Terapeutas Holísticos, é que devemos nos moldar às necessidades/receptividades de nossos Clientes…
Minha sugestão pessoal é a de que não se apeguem demais ao uso de agulhas… Elas são um “pomo da discórdia” desde a proliferação do medo de contágios e, muito possivelmente, acontecerá no Brasil o mesmo que ocorreu na França: passaram a ser classificadas como “instrumento CIRÚRGICO” e, por consequência, monopólio médico. Notem que conseguiram a exclusividade no uso de agulhas de acupuntura, porém, a técnica em si, continuou sendo de LIVRE EXERCÍCIO, bastando utilizarem OUTRAS formas de estimular os pontos… Relembrando: isto ocorreu na França; no Brasil, AINDA não…
Importante observar, para quem utilizar deste procedimento (agulhas de acupuntura…), que tem a obrigação legal de cumprir as exigências da Vigilância Sanitária quanto a serem agulhas descartáveis e de uso único (com Nota Fiscal de compra, é claro…) e de serem dispensadas em recipientes específicos para lixo infecto-contagiante, cuja coleta também é em separado da que ocorre com o lixo comum.
Sobre esta pauta, sugiro a todos que estudem as NTSV – Normas Técnicas Setoriais Voluntárias da Terapia Holística e seus Anexos Informativos, disponibilizados em www.sinte.com.br.