Processo criativo do Artista Henrique Vieira Filho Com entrada franca, neste dia 18/06 (data comemorativa da imigração), o Artista Henrique Vieira Filho expõe suas telas com temática japonesa e suas esculturas origamis: Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus – Alameda Santos, 211– São Paulo – SP). Release completo: Clique Aqui Para Baixar o arquivo em formato DOC ou Clique Aqui Para Visualizar Online No formato Slow Art, Henrique Vieira Filhorecepciona grupos de até 06 participantes (por vez…), com os quais interage e convida à pintura coletiva da escultura origami gigante. A Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus transcorre somente nesta 2a feira, abrindo uma sequência de Exposições a serem realizadas em agosto, em atenção ao Dia da Paz (data da explosão atômica em Hiroshima). Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus, com o Artista Henrique Vieira Filho, em homenagem aos 110 Anos da Imigração Japonesa
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Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus, com o Artista Henrique Vieira Filho, em homenagem aos 110 Anos da Imigração Japonesa Release completo: Clique Aqui Para Baixar o arquivo em formato DOC ou Clique Aqui Para Visualizar Online Faz um ano,retornando de suas exposições em Miami, Barcelona, Porto, Cascais e Liechtenstein e Viena, o Artista Henrique Vieira Filho apresentou novas telas, tendo como elo, a tradição japonesa de dobraduras de papel (origami) em forma de tsurus (aves grous, assemelhadas às garças). Pela primeira vez, o Artista apresentara ao público suas esculturas, cuja técnica mista inusitada, une a beleza e textura de suas telas ao formato tridimensional, no que denomina Esculturas Origamis, obras apresentadas em tamanhos diversos, confeccionadas em tecido de algodão parcialmente enrijecido. Sua calculada elasticidade possibilita a quem adquirir as peças aplicar leves modelagens na escultura, tornando-se co-criador da Arte. Para 2018, a Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus homenageia os 110 anos da Imigração Japonesa, que será comemorada neste dia 18 de junho de 2018. Além das telas e esculturas do Artista Henrique Vieira Filho, o público participará ativamente da instalação, pintando coletivamente a escultura de mais de dois metros de um enorme Tsuru. Uma oficina de ensino de origamis orientará a quem desejar fazer suas dobraduras, podendo levar uma de lembrança e somar as demais que dobraram, aos lotes de mil que serão encaminhados ao projeto Mil Tsurus Por Um Desejo, que está prestes a completar mais de 110 mil origamis! Convidamos a todos para conhecer as bela telas de Henrique Vieira Filho, que colorem tsurus, a paz e empoderam o feminino nipo-brasileiro. 110 MIL TSURUS 18 de Junho – 17 às 20hs Na HVFArtes – Alameda Santos, 211 São Paulo – SP Maiores informações: [add_single_eventon id=”971″ ]
Alguma Obras De Henrique Vieira Filho Presentes À Pocket Exhibition 110 Mil Tsurus
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A História Que Inspirou O Artista Henrique Vieira Filho
Aquele que dobrar mil tsurus terá seu desejo atendido
Esta lenda deu esperanças à pequena Sadako Sasaki, vítima tardia dos efeitos das bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.
Hospitalizada, a menina dedicou-se aos origamis, desejando a paz e o restabelecimento de todas as vítimas. Ainda que tenha falecido antes de completar a empreitada, sua história inspirou o país e o mundo, revitalizando a tradição dos Mil Tsurus. Todos os anos, milhares e milhares de tsurus de papel colorido são enviados de toda parte do Japão e do mundo, sendo depositados junto ao “Monumento das Crianças à Paz” (Torre dos Tsurus), de 1958, instalada no Parque da Paz, em Hiroshima, que eterniza a pequena Sadako Sasaki tendo um grande tsuru dourado em suas mãos. Esta bela obra se soma a “Estátua Da Paz”, no Parque da Paz, de Nagasaki, onde os tsurus se unem ao colosso do escultor Seibou Kitamura, que medita e vigia quanto à ameaça nuclear, ao mesmo tempo em que acena com a esperança e se prontifica a socorrer as vítimas. Todo dia 06 de agosto (data da primeira explosão), o Japão dedica à PAZ, onde podemos honrar os desejos da pequena Sadako: _ “Eu escreverei paz em suas asas e você voará o mundo inteiro”. _ “Este é o nosso Grito. Esta é a nossa oração: Paz no Mundo”.
A Idealização Da Homenagem Aos 110 Anos da Imigração Japonesa
De longa data, o Artista Henrique Vieira Filho, admira a determinação do povo japonês, seu respeito às tradições milenares e às belas histórias de sua mitologia. Incentivado por sua filha de dez anos, Luiza (que estudou na Escola Roberto Norio, de tradição japonesa), que tanto adora origamis e, considerando a proximidade do Dia Da Paz, em agosto, o Artista desenvolveu uma série de telas e esculturas, que tem como ponto em comum, os Tsurus e pretende que os mesmos sejam revertidos em prol de entidades beneficentes. Cada obra é realizada em forma de gravuras, em séries de oito originais de cada, devidamente, registrados, certificados e assinados pelo Artista, no tamanho de 80 x 120 cm. O processo criativo envolve sessões de fotos com modelos reais, trabalhados com pintura corporal e arte digital, em poses homenageando as icônicas estátuas de Hiroshima e Nagasaki, sendo que algumas apresentarão, literalmente, mil tsurus, individualizados, ora em pose, ora tamanho, ora cores. As esculturas, serão em tamanhos variando de 20 cm a 240 cm, em tecidos enrijecidos ou fibergrass, apresentando Tsurus estilizados como origamis. Todas as obras são ricas em cores, como já é tradição nas Artes deHenrique Vieira Filho e estão, no momento, em pleno processo criativo, podendo novas instituições participantes sugerir paletas, logotipos e até mesmo, pessoas a serem retratadas nesta temática. Paralelamente, instalações com oficinas de origami se encarregarão de lotes de mil tsurus, que serão presenteados a crianças que estejam hospitalizadas, em homenagem a esta bela tradição. Certos de sua atenção, estamos à disposição para esclarecer o que desejarem e convidamos a agendam uma visita à HVF Artes, onde conhecerão pessoalmente parte do acervo do Artista. Boa Exposição para todos!
Processos Criativos E Making Of
Title: Hope Artist: Henrique Vieira Filho Mixed media on canvas Size: 80 x 120 cm (31,5 x 47,25 inches) Year: 2017 Artista:Henrique Vieira Filho Obra “Hope” Esta tela homenageia as icônicas estátuas de Nagasaki e Hiroshima, unindo a pose de uma ao tsuru aramado da outra. Esculturas Tsurus, em tamanhos e cores variadas, todas com as texturas e cores dos já consagradas telas de Henrique Vieira Filho, confeccionados em tela, moldados à mão e enrijecidos com resina. O Artista Henrique Vieira Filho, junto à tela “Hope”, tendo à mão, Esculturas Tsurus. A escultura da imagem a seguir mede cerca de 2,40 m (da ponta de uma asa, à outra) e foi objeto de pintura coletiva, durante a instalação da exposição do dia 06 de agosto de 2017. Instalações, que podem ser públicas ou privadas, com performance de modelos e sessões fotográficas, que servem de inspiração para as próximas telas, sendo parte do processo criativo do Artista Henrique Vieira Filho. A pintura corporal é uma das marcas registradas do Artista Henrique Vieira Filho e constituem uma das etapas acessórias a inspirar as obras. Instalações, que podem ser públicas ou privadas, com performance de modelos e sessões fotográficas, que servem de inspiração para as próximas obras, sendo parte do processo criativo do Artista Henrique Vieira Filho. Instalações, que podem ser públicas ou privadas, com performance de modelos e sessões fotográficas, que servem de inspiração para as próximas telas, sendo parte do processo criativo do Artista Henrique Vieira Filho. Na imagem a seguir, o Artista já iniciou seu processo de pintura, testando as primeiras intervenções para a criação de uma próxima tela. Aqui, o Artista Henrique Vieira Filho, aplica cores, texturas e desenhos, inserindo Mil (literalmente…) Tsurus nesta tela. Title: Mermaid Ningyo Artist: Henrique Vieira Filho Mixed media on canvas Size: 80 x 120 cm (31,5 x 47,25 inches) Year: 2017
Nesta obra, o Artista Henrique Vieira Filho homenageia ao Japão, retratando esta personagem mitológica das lendas nipônicas.
Uma versão alternativa da História, neste artigo do Artista Plástico e Psicanalista Henrique Vieira Filho
Quando se vivencia o holismo, torna-se tentador que um mesmo artigo interrelacione tópicos aparentemente distintos. Neste caso: Viena, paz, terapia e artes plásticas…
Eu, um Psicanalista, expondo como Artista Plástico (a partir desta semana…) minhas telas, pela segunda vez, em Viena… a menos de 2 km da morada de Freud … e igual distância da Academia de Artes de Viena, a qual recusou, por duas vezes, o ingresso de um esperançoso artista, período este descrito por ele como o mais triste de sua vida.
Sim, é dele mesmo que estamos tratando: Adolph Hitler (o qual pintou as flores da imagem que segue…)!
Há exatos 115 anos (1913…), na mesma região em que hoje tenho o prazer de expor minhas pinturas, vagava o futuro ditador (à época, tão somente um artista plástico em busca de reconhecimento…), pelas mesmas ruas e cafeterias frequentadas por Sigmund Freud (recém consagrado em suas teorias…), e também por Stalin e Trotsky (foragidos da Rússia…) e ainda havia o jovem Josip Broz Tito (sim, o próprio: futuro líder sangrento da Iugoslávia…)!
Da rua da The Vienna Workshop Gallery, que expõe minhas telas, eu poderia ir a pé até o Café Landtmann (que funciona até o dias de hoje…), consolar o jovem artista Hitler e encaminhá-lo à Psicanálise com o promissor Freud, que também era frequentador do local.
E, se ele não estivesse, era só caminharmos mais um pouco até a rua Berggasse, onde ele morava e atendia.
E ainda poderia aproveitar e levar junto, Stalin, Trotsky e Tito e pedir um desconto para grupo… ou até iniciar o conceito de terapia grupal!
Parte desta fantasia foi explorada pela BBC, em 2007, com a rádio-novela “Dr. Freud Will See You Now, Mrs. Hitler” (Dr. Freud O Verá Agora, Sr. Hitler), escrita pela dupla de comediantes Laurence Marks and Maurice Gran.
Ainda com Viena em mente, recentemente, foi convidado a desenvolver uma nova exposição, desta vez, no Brasil, tendo como temática principal, a PAZ…
Por isso, minha imaginação extrapola, (con)fundindo os fatos históricos de 1913, com as sincronicidades de personalidades tão marcantes da história, andando pelos mesmos locais, à mesma época…
Impossível deixar de cogitar…
A História teria sido reescrita, se Hitler tivesse seguido seus sonhos como Artista Plástico? E se tivesse sido psicanalisado pelo seu colega de cafeteria, Sigmund Freud?
E se entre um café e outro, Stalin, Trotsky e Tito resolvessem experienciar algumas sessões de análise? Ou se formassem, juntamente com o Adolph, uma nova e revolucionária… academia de artes!?
Sei bem, tanto como Profissional, quanto como Cliente, tanto de Arte, quanto de Terapia (e até de Arteterapia…) o quanto estes recursos podem melhorar a qualidade de vida de uma pessoa.
De bem consigo mesmo, são remotas as chances do indivíduo transferir para o coletivo as suas angústias e frustrações.
Tivesse a Arte e/ou a Psicanálise sido integrada à vida deste seleto grupo de figuras históricas que se “esbarravam” em Viena, a humanidade teria ainda muitos anos a mais de PAZ…
Por sinal, a pintura que escolhi para representar meu trabalho, apresenta a mensagem de paz e esperança, com a presença voadora do Tsuru (origami de pássaro similar à garça…), guiado pela mártir japonesa Sadako (vítima-símbolo da bomba atômica).
Nos detalhes da Tela “Rio Wall“, também encontramos o icônico Pão de Açúcar referenciando o Brasil, sendo preenchido por textura inspirada na obra de Pieter Bruegel, “A Torre De Babel”.
O cenário de complexidade social é complementado pelas ondulações símbolos das calçadas cariocas (curiosamente, este desenho é original de Portugal, na Praça do Rocio em Lisboa…) nesta obra, transparentes a ponto de dar visualização a um verdadeiro exército oculto sob o solo (inspirados nas estátuas dos guerreiros de terracota chineses…).
(Veja alguns destes detalhes neste vídeo: https://youtu.be/B94hWXeWDiE).
Não seria uma obra minha sem homenagens e toques de irreverência, sendo que a tela “Rio Wall” conta com o roqueiro Roger Waters (do clássico “The Wall”, dentre outras espetáculos…) “pichando” um muro, sob a cumplicidade de Salvador Dali, estabelecendo, assim, a “ponte” com o “antigo continente”, já que esta obra excursiona a partir de março, por vários países europeus.
(Veja alguns destes detalhes neste outro vídeo: https://youtu.be/kG34pcMbfSM)
E, em breve, estenderei o convite para que venham, de Viena, para São Paulo, pois, em julho, para a Exposição “Paz”!
Biografia:
Henrique Vieira Filho é artista plástico, escritor, jornalista e terapeuta holístico. Nas artes, é autodidata e seu estilo poderia ser classificado como surrealismo figurativo.
Por mais de 25 anos, esteve à frente da organização da Terapia Holística no Brasil, sendo presença constante nos meios de comunicação. Elaborou as normas técnicas e éticas da profissão, além de ser autor de dezenas de livros e centenas de artigos, que são adotados como referência em vários países.
[add_single_eventon id=”681″ ] Começou HOJE o He For She! Eles Por Elas! O Artista Plástico e Psicanalista Henrique Vieira Filho empodera o Feminino em sua mais recente Exposição! De 5 a 8 de março na Alameda Santos, 211 – São Paulo – SP Exposição HE for SHE! Homenagem Ao Feminino Nas Obras Do Artista Henrique Vieira Filho De 05 a 08 de Março Agende AGORA sua entrevista exclusiva, em seu estúdio em São Paulo ou durante a Exposição He For She! Desejando, solicite release completo e fotos para divulgação! De 5 a 08 de março Alameda Santos, 211 região da av Paulista São Paulo – SP Venha tomar um vinho conosco, celebrar o DIA INTERNACIONAL DA MULHER e conhecer este belo trabalho! Fique à vontade em agendar diretamente ([email protected] / Whatsapp: 11 – 93800-1262) e saiba que será um prazer lhe receber em nossa galeria. Presenças confirmadas para esta Exposição: Guerreiras, Sereias, Fênix, Anjos, Tsurus e muito mais seres fantásticos da mitologia das mais variadas culturas, nas telas e esculturas do Artista Henrique Vieira Filho Nestas imagens,Henrique Vieira Filho empodera grandes Mulheres: uma querida personalidade da sociedade carioca, que é a Márcia Veríssimo, além de uma linda e talentosa atriz global, a Laíze Câmara e cantora Aline Wirley (Grupo Rouge) O Artista Henrique Vieira Filho homenageia as socialites Marie Annick Mercie e a modelo Hannah em suas telas, que também marcarão presença na He For She – Homenagem Ao Feminino Nas Obras Do Artista Henrique Vieira Filho.
Ao invés de apenas visitar uma galeria, ainda melhor será EXPERIENCIAR a Arte, sem pressa!
A proposta do movimento mundial “Slow Art” é que se amplie o tempo de apreciação de cada obra (ao invés de tão somente “passar” por ela….) e os participantes se reunirem para conversar sobre a experiência.
O “Slow Art Day” é uma ação mundial voluntária, por parte de museus e galerias, com adeptos principalmente nos EUA e também no Brasil, com a Galeria HVF Artes e Sociedade Das Artes.
Grande incentivador da proposta, o Artista Plástico Henrique Vieira Filho vai além e soma à Arte sua experiência como Psicanalista, proporcionando vivências ainda mais enriquecedoras aos participantes.
Com dia e hora previamente agendados, o Artista Henrique Vieira Filho receberá grupos de até seis participantes na intimidade de seu estúdio, situado na região dos Jardins (São Paulo – SP), proporcionando a oportunidade de elegerem as obras em exposição que mais lhe impactaram, apreciá-las com conforto e TEMPO e ainda interagir com o Artista, seja conversando sobre as pinturas, seja experienciando uma vivência em Arteterapia ou Psicoterapia Holística!
Equipamento: Canon 70 D, foco manual e Lente 650-1300mm – Telefoto Zoom T-Mount – Tripé Davis & Sanford FM18 Fluid Head
Foi na véspera do meu aniversário, em 2014, que fotografei pela primeira vez a chamada “Super Lua”, da janela de meu home office.
Em poucos minutos, de um lindo prateado, a Lua dourou. Um lindo fenômeno que registrei pela derradeira vez, pois, nos anos seguintes, o céu nublado de São Paulo impediu.
Estas belas imagens ainda me comovem, tanto que ainda as reproduzo em minhas telas:
Tela: Asas Dos Desejos – Artista: Henrique Vieira Filho
Exposição Mil Tsurus
Tela: Berlin Wall – Artista: Henrique Vieira Filho
Exposição Wall – Muros Emocionais e Sociais
Tela: Polimetropolis – Artista: Henrique Vieira Filho
Pocket Exhibition – São Paulo: Cidade Diva No Divã
Hoje, 31 de janeiro de 2018, seremos contemplados com uma versão “Hiper Lua”, a qual, além de cheia e especialmente próxima à Terra, ainda somará um eclipse!
É muita inspiração a todos os românticos, artistas e astrólogos!
Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista). Nesta divertida ficção, São Paulo está em sua SEGUNDA sessão de Terapia Holística (psicanálise, acupuntura, vivências, arteterapia, fototerapia…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.
Cidade Diva No Divã
São Paulo Em Terapia – Segunda Sessão
FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003
Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001
Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…)
Apontamentos:
Esta é a segunda sessão com minha nova Cliente, que é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona…
Desta vez, trouxe uma foto nova para a ficha, onde uma de suas filhas a acompanha; creio que será uma boa pauta para Fototerapia…
Terapeuta:
_ Fale um pouco sobre a foto que escolhe para sua ficha.
Cidade:
_ Nem lembro se já te contei: eu tenho MILHÕES de filhos! Tanto os naturais, quanto os migrantes, amo-os sem distinção! Só que são tantos que nem dou conta… Aliás, é impossível encontrar uma foto em que esteja sozinha!
Terapeuta:
_ O que lhe chama a atenção nesta imagem?
Cidade:
_ Ah, essa menina! É uma exibicionista! E ainda tem mania de grandeza: se acha uma gigante, mesmo sendo pequenina… Deveria ser mais comportada, nesta idade! Não é mais uma jovenzinha!
Terapeuta:
_ Hum… Compreendo…
Cidade:
_ Até já sei o que está pensando! Esqueceu que já passei por psicanálise, antes? Deve estar achando que estou “projetando” minha característica na menina…
E que eu é quem não é mais “jovenzinha” pois faço aniversário agora…
Terapeuta:
_ É uma hipótese em que deve pensar e sentir com a justa atenção…
Cidade:
_ Seu colega fazia a mesma coisa! Ele é quem “projetava” em mim o que via em meus filhos!
Cito aqui, as palavras dele*:
“Assim, justamente por ser histérica, São Paulo é:
Depressiva, como um antigo sobrado pichado, numa rua desfigurada e quase inabitável, por ter-se tornado via de acesso a uma marginal. Maníaca, como a corrida de três peruas da Rota, das quais não se sabe se estão atrás de alguém ou apenas tentando se (e nos) convencer de que estão agindo. Narcisista, como a barulhenta parada de dois motoqueiros na frente do bar Filial (na Vila Madalena), só o tempo necessário para certificar-se de que suscitaram alguma inveja nos outros varões que estão tomando chope na calçada. Fóbica, como aquele motorista de táxi que, no fim dos anos 80, me disse que passava um pano com álcool no banco traseiro quando levava alguém para o Emílio Ribas. Ou como a lavagem cotidiana das calçadas das mansões. Paranóica, como o insufilme dos carros blindados e das guaritas de segurança ou como os cacos de vidro em cima dos muros ao redor das casas. Louca, como a aposta dos motoboys, que acreditam que os motoristas nunca mudarão de faixa. Esquizofrênica, como os fragmentos que, sem organizar-se numa história, desfilam na fala entrecortada dos moradores de rua mais agitados e perdidos. Obsessiva, como a vontade de saber que Deus existe (mas não nos escolheu) que transparece na obstinação dos jogadores de bingo, dos apostadores do Jockey e dos pilares das casas lotéricas. Psicopata, como o vizinho decidido a nos impor sua música, como o bando de jovens exultantes ao constatar o medo que inspiram, como o motorista que buzina para assustar e sustar os passantes, como o cara que tenta passar à frente na fila do cinema. Dissoluta (perversa, diriam os que entendem pouco de clínica), como os cantos escuros do Ibirapuera à noite ou como os cinemas do largo do Arouche”
(Trechos da crônica “São Paulo No Divã”, de Contardo Calligaris, para a Folha de São Paulo, em 2005)
Viu, só? Ele me confunde com meus filhos! E não foi nada lisonjeiro!
Terapeuta:
_ Na Terapia Holística não necessitamos rotular os Clientes, nem os classificar em padrões pré-determinados: cada qual é único… Contudo, o fato de ter te magoado tanto (a ponto de “decorar” a fala!) é significativo, indicando uma possível “negação” de algumas de suas facetas…
Cidade:
_ Era só o que me faltava! Vai dizer que meus filhos “herdaram” isso tudo comigo? Eu cuidei deles o melhor que pude! Aqueles ingratos! Sabe o que a maioria deles faz no MEU aniversário? Me deixam sozinha! S-O-Z-I-N-H-A! Saem todos de casa e vão visitar minhas irmãs!!! Vão todos para as casas das tias Rio, Salvador, Recife! Ingratos! Ingratos!
Terapeuta:
_ Deixe vir a emoção… Sem reprimir… A “catarse” pode ser um bom começo para lidarmos com estas questões…
Cidade:
_ Às vezes, emerge um ódio… Me dói saber que me deixam sozinha, bem no meu aniversário e ainda vão “puxar-o-saco” das tias! Faço bolo, festa, desfile, exposições, eventos artísticos e eles nem ligam!
Terapeuta:
_ Você já contou aos filhos como se sente?
Cidade:
_ Não quero dar o braço a torcer… E sempre tem aqueles filhos que ficam e aproveitam que boa parte dos irmãos não estão e aproveitam ao máximo! Ai, eu me distraio um pouco desta frustração e acabo até me divertindo! Ufa! Desabafei! Parece que me livrei de um “peso”!
Terapeuta:
_ Isso é bom! Claro, ainda há muito o que compreender e “digerir”… E ainda haverá ocasião de trazermos de volta à pauta, a hipótese das “projeções” de características entre mãe, filhos e terapeutas… Para o momento, vamos em mais uma atividade em Arteterapia!
Cidade:
_ Desta vez, vou pintar eu e meus queridos filhos!
Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua segunda consulta…
Tela Megalopolitanos Artista Henrique Vieira Filho
Henrique Vieira Filho homenageia a Cidade de São Paulo com uma série de crônicas e telas (pintura em técnica mista). Nesta divertida ficção, São Paulo está em sessão de terapia holística (psicanálise, acupuntura, vivências…), culminando em que a cidade pinta seu autorretrato, como parte da arteterapia.
Cidade Diva No Divã São Paulo Em Terapia – Primeira Sessão
FC – Ficha de Cliente – De acordo com a NTSV – TH 003
Henrique Vieira Filho – Terapeuta Holístico – CRT 21001
São Paulo Antiga Nome / Cliente: Cidade de São Paulo Endereço: Latitude: -23.5489, Longitude: -46.6388 23° 32? 56? Sul, 46° 38? 20? Oeste Nascimento: 25 de janeiro de 1554 (obs.: esta é a data oficial; a Cliente esclarece que o dia exato, nem ela lembra, mas que foi em 1520…) Apontamentos: Minha nova Cliente é uma charmosa e hiperativa senhora quatrocentona… Apesar de desconfiar que sua foto na ficha está desatualizada… Nesta nossa primeira sessão, pontuou que, às vésperas de seu aniversário, considera que chegou o momento de re-investir em autoconhecimento. Cidade: _ Eu já passei por terapia, faz algum tempo, com um psicanalista, colega seu… Só não concordo com tudo o que ele analisou! Até me chamou de histérica! Terapeuta: _ Talvez ele tenha dito que sua personalidade é do tipo histérica, ou seja, que se percebe como irresistível a todos, sedutora por seu potencial, por suas oportunidades. Cidade: _ Acalento o sonho de tantos, mas, sei que também posso virar pesadelo. Sou uma quatrocentona cheia de charme! Quando desfilo pelo mundo, ornada com o Masp, o Teatro Municipal, a Estação da Luz, a Ponte Estaiada… Hum… Sabia que até o Tom Jobim cantou que me amava? Mas, linda mesmo, eu era quando menina! Terapeuta: _ Me fale sobre a sua infância… Cidade: _ Bons tempos, aqueles! Minha beleza não era construída, como hoje em dia… Era totalmente natural! Florestas densas, animais exóticos, rios, muito sol… Fui revolucionária: a primeira dentre as minhas irmãs a morar no interior! Todas as demais nasceram e cresceram junto ao mar… Eu me aventurei pelas matas e me estabeleci em uma colina circundada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú, que fechavam um delta com uma enorme área alagada: as várzeas do Carmo e do Glicério. Eu era como uma ilha! Sabia que o Padre Anchieta teve que vir de barco para me batizar?… Terapeuta: _ Como é a relação com suas irmãs? Cidade: _ Elas me criticavam muito… Diziam que eu era louca de morar no interior, com tantas praias que ainda faltavam desbravar… Minhas irmãs tinham porto, navios para o comércio, estavam fazendo fortunas e se vangloriando! Só que eu provei para elas que sou tão boa quanto! Dei duro, trabalhei sem descansar, sem dormir e me tornei esta megalópole que você conhece! Mostrei para elas todas que eu não precisava de oceano, coisa nenhuma! Terapeuta: _ Notei a sua pausa reflexiva… Creio que você teve o que chamamos de “insight”… Cidade: _ Minha autoestima estava frágil com essa questão de não ter oceano… Acabei por negligenciar e negar as minhas próprias águas! Cobri meus rios com vastas avenidas… Sabia que dois terços delas correm sobre os antigos caminhos das águas? De tanto me infernizar com as minhas irmãs/rivais do litoral, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, a minha relação com minhas águas foi indo de pacífica, com direito a regatas no rio Tietê, para uma investida furiosa contra os rios, riachos e córregos. Quis apagar as águas até o último vestígio! Terapeuta: _ Respire fundo… Deixe vir as emoções… Os “insights” são assim: uma infinidade de informações em uma fração de segundo; levará algum tempo para “digerir” e elaborar tudo. Cidade: _ E então, meu caro terapeuta… Vai me aplicar acupuntura? Recomendar uns florais de Bach? Reflexoterapia? Arteterapia, quem sabe?… Terapeuta: _ Possivelmente, uma mescla destas técnicas…. Notei mesmo essa zona reflexa, aqui na região da Cracolândia necessitando de alguma atenção; uma “acupuntura”, só que SEM agulhas, pode ajudar… No mais, creio que a Arteterapia será um bom caminho para ampliar a consciência perante o “insight” de hoje e os futuros, que certamente virão… Cidade: _ Minha personalidade “histérica” está retomando: pintarei um autorretrato!
Tela concebida pela Cliente “Cidade de São Paulo”, na sequência de sua primeira consulta… Título: “Polimetropolis” Artista: Henrique Vieira Filho Técnica: Mista Tamanho: 120 cm x 80 cm Ano: 2018 Título: “Polimetropolis” Artista: Henrique Vieira Filho Técnica: Mista Tamanho: 120 cm x 80 cm Ano: 2018
A humanidade desenvolveu CALENDÁRIOS como uma tentativa de compreender, prever e até conquistar o TEMPO e, assim, acalmar boa parte de nossos temores quanto a este conceito que parece fluir em constante fuga, sendo a distância entre a causa e o efeito de tudo que presenciamos. Estabelecer e seguir um calendário é adquirir a sensação de segurança, de integrar-se ao ritmo do Universo e esta iniciativa é milenar e comum a todas as culturas. Existe uma infindável variedade de medições do tempo conhecidas, destacando-se os calendários egípcio, grego, asteca, romano, maçônico, revolucionário (relativo à Revolução Francesa de 1789), chinês, muçulmano, gregoriano….
O que existe em comum é a tentativa de marcar no tempo, pontos de referência que relacionados aos fenômenos naturais, cuja evolução e repetição periódica são passíveis de observação.
Organizar o tempo é ter-se a impressão de dominar, através da regulamentação, aquilo a que não se pode escapar.
É possuir um meio de marcar as etapas da própria evolução humana, exterior ou interior, e de celebrar, ao mesmo tempo, numa data fixa, tudo aquilo que faz lembrar as relações do homem com os deuses ou o cosmo, ou com os mortos.
A contemplação de um calendário evoca o perpétuo reinício. Ele é o símbolo da morte e do renascimento, assim como da ordem inteligível que preside ao escoamento do tempo; é a medida do movimento.
(Extraído de CHEVALIER, Jean – Dictionnaire des Symboles. Paris, Éd. Robert Laffont S.A. e Ed. Júpiter, 1982)
Por serem mais curtos e mais fáceis de observar, os ciclos lunares formaram a base dos calendários de muitas culturas. O ciclo solar é mais complexo, exigindo estágios culturais mais avançados para serem adotados.
O calendário egípcio antigo já era bem elaborado e perfeitamente adaptado às necessidades locais: ano de 365 dias, dividido em 12 meses de 30 dias e mais 5 dias adicionais, sendo os meses, agrupados em três estações: inundação, inverno, verão.
Dias e noites são divididos em 24 horas, que a astronomia helenística sub-dividirá em 60 minutos, de acordo com o sistema sexagesimal que é de origem babilônica.
Já entre os primeiros hebreus, o sistema era lunar, herdado dos fenícios, porém, no período bíblico, passou a ser solar.
Via de regra, o calendário está em paralelo com os ciclos da natureza.
Porém, a modernidade impôs, de forma global, uma uniformidade COMERCIAL, sendo adotado um mesmo padrão em todo o mundo, ignorando-se a falta de sincronismo com os eventos naturais.
Por exemplo:
Enquanto o “fim de ano”, no Hemisfério Norte, está em sincronia com o INVERNO, ou seja, o período de declínio energético, do risco de morte, das adversidades da natureza, seguido na PRIMAVERA, como ponto de partida de um “ano novo”, aqui no Brasil, temos que nos convencer que o ciclo “acabou” justamente no VERÃO, ou seja, quando estamos no auge da energia e deveríamos estar no máximo da ação…
Boa parte do calendário atualmente adotado, deriva dos modelos juliano (homenagem ao imperador romano Júlio Cezar…) e gregoriano (dedicado ao papa Gregório…).
Para melhor compreender os significados simbólicos atribuídos a cada mês, existe uma interessante série de poemas escritos por Públio Ovídio Nasão (Publius Ovidius Naso), em seu livro Fastos, onde descreve as festas religiosas romanas, dos seis primeiros meses do ano.
Mesmo sendo um autor “pagão”, Ovídio permaneceu na lista de literatura “permitida” pelo Vaticano do século XII.
O mês de Janeiro, Ianuarius mensis, em latim, era dedicado ao deus Jano, protetor de todos os começos, representado com duas faces, uma voltada ao passado, outra, ao futuro, sendo conhecedor de tudo o que já ocorreu ou que virá a acontecer.
Februarius mensis, ou, Fevereiro, é o mês reservado às cerimônias de purificação e expiação denominadas Februa, não sendo dedicado exclusivamente a nenhuma divindade em especial.
Março, Martius mensis, relativo a Marte, deus guerreiro, era o mês inicial do antigo calendário romano, pois era considerado o pai mitológico de Rômulo, primeiro rei de Roma, além de preparar para a primavera (hemisfério norte…) que aflora no mês seguinte, ou seja, Abril (Aprilis, aperire), que significa ABRIR, período dedicado a Vênus, deusa da fertilidade, do amor; também, são homenageadas as deusas Flora, Vesta e Ceres.
O mês de Maio (Maius mensis, em latim), possui variadas versões quanto à etimologia: ou deriva da deusa Maia, mãe de Mercúrio, como também pode originar de “aos Maiores” (Maius), ou seja, período dedicado aos mais velhos, aos antepassados.
Por sinal, esta versão corrobora a de que Junho (Iunius, iuvenis = jovens, juniores…) fosse um período em homenagem aos jovens; outrossim, também pode ser atribuído à deusa romana Juno, que é assemelhada à poderosa Hera, da mitologia grega.
Alguns estudiosos associam ao verbo iungo, que significa juntar, unir, pelo fato de ser este mês atribuído ao da unificação entre os romanos e os sabinos (após o episódio do “rapto das sabinas”…).
Os meses de Julho e Agosto homenageiam os imperadores romanos Júlio e Augusto, iniciando-se, a partir deste ponto, a nomeação sequencial numérica para os demais (antes de Júlio Cezar, o calendário era subdivido em 10 meses…):
Setembro (mense septembri, relativo ao numeral “sete”), Outubro (Octóber mensis, oito…), Novembro (novembris, nove…) e Dezembro (decèmber, dez…).
Como podemos constatar, nosso calendário atual é povoado por deuses, imperadores e algarismos romanos e certamente existe uma SINCRONICIDADE entre tais tópicos e as predisposições comportamentais de cada mês…
Se nas regiões Norte de nosso planeta, ainda existe uma cerca sincronia entre o significado de cada mês e as estações do ano, tornando mais fácil o entendimento, ainda assim, por força da globalização que padronizou as medições do TEMPO, perdeu-se a relatividade e universalizou que dezembro é o FIM (ainda que no Brasil, seja VERÃO e não inverno…) de um ciclo, que re-INICIA em janeiro (que aqui, ainda é verão, ao invés de PRIMAVERA…).
Na antiguidade, os povos comemoravam o término do período difícil, de tempo frio, neve, isolamento, falta de alimento, alegrando-se com a volta do calor, da abundância de recursos, do retorno às atividades, ao desabrochar da vida…
Modernamente, continuamos a celebrar, não mais pela sintonia de nossas emoções com a natureza à nossa volta, mas sim, muito mais por adaptações religiosas às datas festivas “pagãs” e pela pressão social que impõe a todos seu calendário COMERCIAL padrão.
Outrossim, não raro, muitos de nós sentem- se desconfortáveis, até mesmo envoltos em emoções “contra a corrente” do momento, vivenciando tristeza, raiva, medo…
Talvez,interiormente, estejam ainda em pleno FOGO de verão, desejosos em realizar sonhos, em materializar objetivos, enquanto o restante da sociedade lhe despeja um balde de gelo invernal, dizendo: acabou-se o TEMPO…
O mito de Jano, o rei-deus guardião de Saturno/Cronos (o tempo…), homenageado, não por acaso, em Janeiro (início dos anos…) nos apresenta um rosto voltado para o passado, outro, ao futuro e uma fusão que ocorre no exato momento da passagem entre os extremos, o NEXO, instante fora do tempo e espaço, em que é sentida intensa comoção pelo término de um ciclo de vida.
O sofrimento experienciado por muitos de nós, é consequência da permanência no Nexo, refúgio desconfortável onde se ilude eternizar aquilo que é efêmero, passageiro….
É o complexo saturnino, descrito na Psicanálise, com a recusa de “perder”, de deixar passar, aquilo a que nos ligamos sucessivamente na vida, evocando o outro lado do mito de Cronos, em que devora seus próprios filhos.
Jano toma conta do TEMPO, sem jamais pretender dominá-lo ou detê-lo.
É igualmente o senhor dos portais, das entradas e saídas, e ao fechar uma porta, simultaneamente abre outra…
Sofremos por insistir no caminho já trilhado e agora fechado, deixando de perceber a nova porta aberta, à espera de nossa passagem por ela.
Ainda que sem sincronia perfeita com a natureza (individual e ambiental…), que o calendário que, não por acaso, adotamos, bem nos sirva para cerrar, como chave-de-ouro, as portas deste ano e para abrir o novo ciclo.
Esses são os votos de um feliz rito de passagem, de seu colaborador junguiano e sem nexo.
HENRIQUE VIEIRA FILHO
Artista Plástico, Psicanalista
Autor de diversos livros, centenas de artigos, palestrante, docente, articulista colaborador em diversos veículos de comunicação.
Este artigo tece um paralelo entre os costumes dos antigos xamãs siberianos, a elaboração da figura de São Nicolau e como tais histórias mesclaram e chegaram até nossos dias, transformada em “Papai Noel”. Já abordei em outra oportunidade que os atuais Terapeutas Holísticos descendem, em sua forma de terapia, dos antigos xamãs e sacerdotes, sendo que, é claro, adaptando as técnicas às normas da sociedade atual. Por exemplo, séculos atrás, o acesso ao inconsciente, não raro, era obtido via ervas alucinógenas, enquanto que, na Terapia Holística, o mundo onírico é alcançado de forma bem mais saudável, com métodos de relaxamento, associações de idéias, vivências induzidas pelo toque, hipnose, dentre outras opções. Desta vez, focaremos na figura milenar dos Xamãs Siberianos, vestindo suas pesadas roupas de pele, viajando velozmente em seus trenós puxados por renas, em busca do sagrado cogumelo vermelho e branco, colhidos um a um e armazenados em um saco de couro, para serem compartilhados com os membros destacados da tribo. O sacerdote entra pela chaminé das moradas (a passagem para as pessoas e para a fumaça das fogueiras é a mesma, neste tipo de tenda…), presenteando os moradores com suas cantigas, danças e, é claro, o fungo mágico, o qual, para ter sua toxidade diminuída, é assado na fogueira, espetado em galhos. Alguns dos efeitos deste vegetal é a sensação de voar, além de vermelhidão nas bochechas e nariz, comumente acompanhados de surtos de gargalhadas… Qualquer semelhança com a moderna figura do Papai Noel de rosto rosado, aterrizando de seu vôo, colocando presentes à lareira, assando marshmallows e rindo à toa, é muito mais do que coincidência… Das terras geladas do Norte, as histórias destes poderosos xamãs migraram para o restante do mundo ocidental, criando sincretismo com as lendas já estabelecidas anteriormente. Para alcançarmos a mercantilizada e moderna figura do “Papai Natal” (natalis no latim, derivada do verbo nascor ou seja, “nascer”, de onde originaram “natal”, em português, “natale”, em italiano, e “noël“, em francês…), temos que destacar a forte influência de duas organizações muito poderosas: a antiga igreja romana e… o fabricante de um famoso refrigerante ! Uma das eficientes estratégias de disseminação na “nova” religião era a de incorporar para si, as datas, festejos, ritos e personagens de suas “concorrentes”, adaptando-os para si. Desta forma, eram mais facilmente aceitos e compreendidos pela população, acostumada com os antigos deuses e cerimônias. Por exemplo, a data comemorativa do nascimento de Jesus de Nazaré foi alterada mais de uma dezena de vezes, convenientemente coincidindo com festividades já existentes do público alvo. A última data assumida corresponde ao solstício de inverno no hemisfério norte, ocasião em que festejavam o deus Mitra, cujo principal templo era onde hoje se encontra o Vaticano… Especificamente sobre o tema deste artigo, os publicitários (também me considero um…) papais conseguiram “salvar vários coelhos com uma só cajadada no caçador” (é que sou vegetariano…): criaram o “super-xamã” ! Nenhum trenó de renas voava mais veloz do que o do bispo Nicolau; ninguém trazia presentes melhores que os dele: moedas de ouro para as donzelas sem dote e brinquedos para as crianças, fabricados por um exército de demônios que ele subjugou, obrigando-os a trabalhar para ele. As mesmas forças que transformaram “vossa mercê”, em “vós mecê”, depois em “mecê”, “você”, “ocê”, até o atual “cê”, fizeram com que “Saint Nikolaus” (Santo Nicolau) migrasse para os Estados Unidos, como “Santa Claus” e de um bispo católico, para um personagem cristão genérico.
Novamente os publicitários tem seu papel nesta história e a primeira figura da nova versão do personagem de que se tem notícia é de 1863, de autoria de Thomas Nast, mantendo traços de figuras bíblicas, como a respeitável barba branca, mas trajando roupas estilo esquimó, apropriadas às terras gélidas e distribuindo presentes, como o santo católico e os xamãs. Pela primeira vez, a lenda de Santa Claus aparece associada aos festejos natalinos, tradição esta incorporada em definitivo até nossos dias. Alguns estudiosos do xamanismo afirmam que, nas cerimônias com os cogumelos sagrados, os sacerdotes vestiam-se com as mesmas cores deste alucinógeno vegetal. Eis que em 1931, finalmente o personagem é ilustrado com vermelho e branco, justamente as cores do rótulo da bebida que patrocinou a campanha publicitária, que se renova todos os anos, desde então, associando o “bom velhinho” a esta marca específica. É uma ironia do destino que, este produto que nasceu como xarope para dores de cabeça e que se reinventou como refrigerante, utilize as mesmas cores do fungo “mágico”, ainda mais porque seu nome sugere que os extratos vegetais de sua fórmula secreta tenham a ver com a folha-de-Coca e a noz-de-Cola, poderosos estimulantes, mas que, felizmente, longe estão da toxidade da referida planta xamânica. Claro, sei que existe muitas outras versões igualmente plausíveis para tudo que abordamos neste pequeno texto. Creio que nunca saberemos o que é verdade e o que é ficção, quais histórias foram propositadamente criadas com fins bem definidos e as que surgiram espontaneamente oriundas dos sonhos e anseios da humanidade. O importante é constatarmos que estas festividades, mais do que simples produtos do mercantilismo moderno, remontam ao universo dos Arquétipos, dos Símbolos e do Inconsciente Coletivo, que fascina não só aos Terapeutas Holísticos (inclusive, por obrigação profissional de estudar…), como a qualquer indivíduo em busca do conhecimento. Independente disso, ainda que no Brasil seja verão, desejo um feliz festejo de solstício de inverno para todos !